Índice revela os impactos socioeconômicos da UEA no interior do AM

A constatação foi feita a partir da comparação entre os municípios

Manaus – Os impactos da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) na sociedade, sobretudo no interior do Estado, não estão restritos somente à qualificação stricto sensu dos seus mais de mil docentes, ao quantitativo de cursos ofertados ou ao volume expressivo de mais de 65 mil estudantes que concluíram o nível superior na instituição ao longo de duas décadas de criação.

(Foto: Divulgação)

Uma tese de doutorado intitulada ‘Modelo de avaliação de impacto da universidade na sociedade: um estudo sobre a UEA’, de autoria do professor e advogado Alcian Pereira de Souza, revela que a consolidação da Universidade representou social, econômica e ambientalmente uma trajetória significativa para Manaus, como também para as cinco cidades do Amazonas onde estão instalados os Centros de Estudos Superior e principalmente para os egressos da instituição.

A constatação foi feita a partir da comparação entre os municípios, considerando as dimensões econômicas, sociais e humanas, e ratificadas através de pesquisa incluindo a dimensão ambiental, com mais de 400 egressos da instituição.

Ao analisar o cenário dos municípios de Parintins, Tefé, Tabatinga, Itacoatiara e Lábrea, considerando o antes e o depois da implantação dos centros da UEA, as cidades obtiveram um melhor posicionamento no Índice Geral de Bem-Estar Socioeconômico, a exceção de Parintins, que se manteve em 1º lugar nas duas situações. Tefé subiu de 5ª posição para a 2ª colocação, Tabatinga de 18º para 6ª posição, Itacoatiara de 8ª para 7º lugar, Lábrea ampliou 13 posições, saindo de 47ª para 34ª e São Gabriel da Cachoeira que saiu de 57ª para 52ª colocação no Índice Geral de Bem-Estar Socioeconômico.

Na esteira da análise do perfil social, econômico e ambiental dos ex-alunos da UEA que responderam aos questionamentos na pesquisa, a contribuição da instituição saiu do campo empírico.

O estudo revelou que antes de ingressar na UEA, 57,69% dos entrevistados não desenvolviam qualquer atividade econômica, no entanto, 86,49% dos ex-alunos entrevistados afirmaram que o curso concluído por eles na UEA foi pertinente com a vocação e potencial econômico da cidade onde mora e que 57,69% trabalham até hoje na área a qual concluíram a formação superior. Já quando o questionamento se dá a partir da melhora na renda bruta mensal familiar, dentro da análise da dimensão econômica, 75,43% afirmaram que os estudos na instituição de ensino permitiram uma evolução no contracheque.

Quando o questionamento é feito em torno dos impactos sociais positivos ofertados por meio da formação na Universidade Estadual, o percentual avança para 82,79%.

Impacto ambiental surpreendeu

Ao analisar os dados referentes aos impactos ambientais proporcionados pela formação dos entrevistados na UEA, Alcian afirmou ter ficado surpreso com o cenário que os números revelaram.

O conhecimento adquirido na UEA, através da formação superior, promoveu aumento no conhecimento sobre educação ambiental para 76,9%. A relação com o meio ambiente, incluindo a conscientização ambiental/preocupação com a proteção do meio ambiente, foi alterada a partir da formação na UEA para 72,41% dos entrevistados.

“Eu achava que os dados seriam incipientes, no entanto, mostraram que os egressos passaram a ter uma nova concepção em torno da relação deles com o meio ambiente, independente da área, o que vem embasar agora de forma científica, a relação que o nosso Polo Industrial de Manaus tem com a conservação dos nossos recursos naturais, com nossas florestas, evidenciando que os incentivos que as indústrias repassam para a UEA não podem ser vistos como um peso. A UEA deve ser observada como um escudo do pólo, pois os incentivos ofertados aqui na região servem para gerar conhecimento, que gera impacto socioambiental e ajuda na proteção do meio ambiente”, afirmou Alcian.

“Por tudo isso, concluímos que as ações de ensino da UEA parecem influenciar positivamente no melhoramento do Índice Geral de Bem-Estar e nos impactos socioeconômicos e ambientais na vida pessoal e profissional dos ex-alunos”, destacou o professor.

Com a defesa da tese, Alcian espera que a instituição possa promover, no decorrer dos próximos anos, uma avaliação mais sistêmica dos demais impactos que a UEA tem gerado no Estado, sobretudo no interior, a partir do índice criado.

“Para que a gente pudesse afirmar que a UEA de fato está cumprindo com o seu propósito, entendi que não poderíamos ficar restritos somente aos dados referentes à qualificação dos docentes ou ao quantitativo de cursos ofertados e alunos formados, precisávamos de um índice e parametrizar isso de forma que pudéssemos evidenciar para a sociedade em geral que os incentivos recebidos pela UEA estão proporcionando um conhecimento que a universidade está levando para o interior do Estado e de fato está realmente promovendo transformações socioeconômicas e ambientais, e é justamente isso que a pesquisa vem revelar”, finalizou.

A tese de Alcian foi apresentada em dezembro ao Programa de Pós-graduação em Administração do Departamento de Administração da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP), como requisito para obtenção do título de Doutor em Ciências.

Números da UEA em 20 anos

65.000 alunos diplomados
22.022 alunos matriculados
1.004 docentes
612 técnicos administrativos
64 cursos regulares de graduação
185 cursos de oferta especial
20 unidades no interior
07 cursos de pós-graduação Stricto Sensu
47 cursos de pós-graduação Lato Sensu
32 convênios nacionais
19 convênios internacionais

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