Indústria e comércio sofrem os efeitos da severa estiagem no AM

Falta de insumos obriga PIM a conceder férias coletivas e comércio abre alerta para o Black Friday em Manaus

Manaus – A seca severa que atinge o Amazonas começa a afetar o abastecimento em Manaus pela baixa navegabilidade dos rios e acesso de navios. A indústria vai conceder férias coletivas pela falta de insumos no pico da produção para o Natal  e o comércio abre um alerta para as próximas datas comemorativas, em especial o Black Friday.

(Foto: Luzimar Bessa)

A falta de insumos no Polo Industrial de Manaus (PIM), ocasionada pela seca que atinge o Amazonas, obrigou as empresas a antecipar as férias dos trabalhadores. Mais de 30 unidades fabris irão conceder férias coletivas para 17 mil funcionários.

O nível do Rio Negro desceu mais 11 centímetros e registrou terceiro recorde seguido com a marca de 13,38m metros, na manhã desta quarta-feira (18). A informação foi confirmada pelo sistema de medição do Porto de Manaus. Com a baixa navegabilidade, os navios com insumos não estão chegando para abastecer a indústria.

De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas (Sindmetal-AM), a partir do dia 25 de outubro, até 4 de novembro, 17 mil trabalhadores das linhas de produção entrarão de férias coletivas.

Na manhã desta quarta-feira (18), A diretoria da Samsung Eletrônica da Amazônia Ltda., uma das  maiores fábricas do PIM, esteve na Suframa, e anunciou a antecipação das férias coletivas do fim de ano para o período de 30 de outubro a 14 de novembro.

No varejo, de acordo com o presidente da Federação do Comércio do Estado do Amazonas (Fecomércio), Aderson Frota, a dificuldade de abastecimento vai repercurtir certamente nas próximas datas que é o Black Friday, no final de novembro.

“Os rios Negro e Amazonas estão em um nível tão baixo que os navios vão ter dificuldades para aportar aqui no Porto de Manaus. Nós vamos ter consequentemente aumento na taxa de frete porque para os navios chegarem ao Porto de Manaus com o calado tão baixo, eles têm que vir com metade ou muito menos conteinerse essa defasagem, quando vem com 60% dos conteiners,  os armadores terão prejuízos que serão distribuídos entre aqueles que vão receber mercadoria”, disse o presidente.

De acordo com a empresa de logística IBL World, que realiza operações com balsas a partir do Porto de Vila do Conde, em Barcarena no Pará, um dos portos base para o escoamento dos insumos que chegam até Manaus, a diminuição de cargas é para que as balsas não fiquem encalhadas.

“Essa logística está se fazendo 100% por meio de bals as de baixo calado, mesmo assim é necessário que faça a diminução da capacidade de caga que não ocorrea nenhum risco de encalhamento nos rios da região, disse o gestor da IBL em Manaus, Erick Cavalcante.

O presidente da Fecomércio alertou que em 2022, no período da estiagem, que não foi tão severa como a deste ano, já ocorria a ameaça por parte dos armadores.

“Ano passado nós tivemos uma pequena ameaça dessa natureza e os armadores disseram: Olha, se nós não tivermos a compensação por esse volume menor de conteiners que nós estamos trazendo nos nossos navios isso vai nos dar prejuízo e nós não vamos mais a Manaus”, disse Aderson Frota.

O empresário Luiz Gastaldi, sócio-fundador de um grupo atacadista em Manaus, relatou que há dez dias os navios estão retornando com cargas por não conseguirem atracar nos portos de Manaus e que já há uma alta procura dos clientes por alimentos nas últimas semanas, especialmente alimentos perecíveis e congelados, e manifestou preocupação com a possibilidade de desabastecimento de alguns produtos nas prateleiras da rede.

“A gente nota um aumento de venda. Creio que já é um medo da população com a escassez que é uma situação, infelizmente, iminente de ocorrer. Vai depender muito da volta das águas e também de um problema que, quando o vice-presidente Alckmin esteve aqui ele prometeu que a solução seria fazer dragagem dos rios, mas já tem dias que ele veio e essa dragagem parece que não saiu da boa vontade e boa vontade não vai resolver o problema”, explicou o empresário.

O presidente da Fecomécio reforçou que o comércio ainda vivia uma fase de recuperação quando foi atingido pela situação da estiagem no Estado.

“Nós ainda não saímos dos efeitos de 2022, quando houve a corrida do petróleo, a guerra da Ucrânia, o aumento da taxa selic, o aumento da taxa de juros, a inadimplência das famílias brasileiras que continuam elevadas. E hoje nós estamos ainda vivenciado uma parte dessas dificuldades que aconteceram em 2022 e ainda por cima nós estamos em um evento de enstiagem que com certeza ainda vai trazer muitas dificuldades para a economia do estado do Amazonas, e principalente para as cidades do interior do estado, finalizou o presidente.

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