Inflação tem alta de 0,59% em outubro, após três meses de deflação

Os itens dos grupos de alimentação e bebidas, saúde e cuidados pessoais e transportes representam as maiores influências

São Paulo – Depois de registrar três meses consecutivos no campo negativo, a inflação oficial de preços do Brasil subiu 0,59% em outubro, de acordo com dados apresentados nesta quinta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A maior influência no índice geral veio do grupo Alimentação e bebidas (Foto: © Valter Campanato/Agência Brasil)

Com a interrupção da série de deflações motivadas pela redução das alíquotas do ICMS sobre gasolina e energia elétrica, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) tem alta acumulada de 6,47% nos últimos 12 meses. No ano, a variação é de 4,7%.

Mesmo com o aumento de preços apurado em outubro, o índice anual mantém sua convergência para a margem de tolerância da meta (de 2% a 5%), com quatro recuos consecutivos desde a marca de 11,89% registrada entre julho de 2021 e junho de 2022.

A perda de força do índice no acumulado em 12 meses é fruto justamente das quedas registradas nos meses de julho (-0,68%), agosto (-0,36%) e setembro (-0,29%), motivadas pelo corte de impostos.

Em outubro, os itens dos grupos de alimentação e bebidas (+0,72%), saúde e cuidados pessoais (+1,16%) e transportes (+0,58%) representam as maiores influências para o resultado do IPCA. Os artigos de vestuário respondem pela alta mais intensa do índice no mês: 1,22%.

“Há um claro contraste, porque alimentação e transportes, os dois grupos de maior peso, tiveram variação negativa em setembro e altas em outubro”, avalia Pedro Kislanov, gerente responsável pela pesquisa.

No mês, o preço dos combustíveis recuou 1,27%, alta menos intensa do que a verificada em setembro, de 8,5%. Enquanto a gasolina (-1,56%), o óleo diesel (-2,19%) e o gás veicular (-1,21%) seguem trajetória de queda, o etanol obteve alta de 1,34%.

Alimentação

Após registrar em setembro a primeira variação negativa desde novembro de 2021 (-0,04%), o preço dos alimentos voltou a subir em setembro, com alta puxada pela alimentação no domicílio (+0,8%).

Entre os itens com maior peso no bolso das famílias, os destaques ficaram por conta da batata-inglesa (+23,36%) e do tomate (+17,63%). A cebola (+9,31%) e as frutas (+3,56%) também apresentaram aumentos significativos no mês.

Entre as quedas do grupo, a ênfase ficou mais uma vez por conta do leite longa vida (-6,32%), que já havia recuado 13,71% em setembro, e o óleo de soja (-2,85%), que marcou a quinta queda consecutiva.

Na alimentação fora do domicílio, que cresceu 0,49%, o preço do lanche desacelerou ao subir 0,3%, ante alta de 0,74% apurada em setembro. A refeição, por sua vez, seguiu caminho inverso, com variação que passou de 0,34% para 0,61%.

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