Mulheres inovam mais e são mais pessimistas

Mesmo com todos os obstáculos, as empreendedoras são as que mais inovam e cerca de 42% delas passaram a comercializar novos produtos e/ou serviços durante a pandemia

Manaus – As mulheres empreendedoras estão mais pessimistas do que os homens quanto ao retorno de seus negócios à normalidade, é o que indica uma pesquisa realizada pelo Sebrae e pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Segundo o levantamento, 66% das empresárias ouvidas acham que menos da metade dos clientes voltará a consumir em 30 dias, contra 59% dos homens.

Rio de Janeiro – Salões de beleza, barbearias e cabeleireiros fechados na Barra da Tijuca, de acordo com medidas do governo estadual para isolamento social pela pandemia do novo coronavírus (covid-19). (Fernando Frazão/Agência Brasil)

Por outro lado, os dados apontam que, mesmo com todos os obstáculos, as empreendedoras são as que mais inovam – aproximadamente 42% delas passaram a comercializar novos produtos e/ou serviços durante a pandemia do coronavírus, enquanto esta foi uma realidade para 37% dos homens.

“O fato de elas serem mais afetadas também faz com que elas se movam mais rapidamente do que os homens. Eu recebo dezenas de mensagens de mulheres que estão adaptando seus negócios”, comenta Ana Fontes, fundadora da Rede Mulher Empreendedora.

Ainda de acordo com a pesquisa de Sebrae e FGV, as empreendedoras foram mais prejudicadas do que os homens no faturamento mensal das empresas, em que 77% delas afirmam diminuição, contra 73% dos homens. São as mulheres que também alegam ainda ter muitas dificuldades em manter seu negócio, sendo 45% empreendedoras e 42% empreendedores.

A pesquisa foi realizada com 6 mil empreendedores de todo o País, entre 28 de setembro e 1º de outubro. Dentre os entrevistados, 57% são microempreendedores individuais (MEI) e 38% microempresários, entre outros.

Para Ana Fontes, consultora e mentora em negócios femininos, que no próximo mês realiza a 9ª edição de seu evento voltado para elas, as mulheres não são pessimistas, mas sim realistas. “Elas foram mais afetadas. Os segmentos que as mulheres atuam foram os segmentos mais afetados; elas receberam um impacto maior do que os negócios dos homens”. A isso somam-se outros aspectos. “Tarefas domésticas, cuidar dos filhos e até mesmo a violência doméstica cresceu”.

Para Dani Junco, fundadora do B2Mamy, aceleradora de negócios focada em mães empreendedoras, a diminuição das vendas está ligada ao tempo. “Nós ainda equilibramos mais pratos que homens. Ter que rodar pratos a mais do que os meninos faz com que tenhamos resultados menores. Isso não tem a ver com competência técnica, tem a ver com a disponibilidade de tempo”.

Os setores que as empreendedoras mais empreendem são beleza, moda, alimentos e bebidas, que estão entre os mais afetados na pandemia.

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