Mulheres que planejam empreender ainda se deparam com obstáculos

Apesar do desejo de tocar o próprio negócio, as mulheres ainda sentem constrangimento ao solicitar empréstimo aos bancos

Rio de Janeiro – Para escapar do desemprego, que atingiu o maior nível da história no terceiro trimestre deste ano, muitas brasileiras decidem apostar no empreendedorismo. Porém, enfrentam diversos obstáculos, que, em sua maioria, têm origem cultural, segundo avaliam especialistas ouvidas pela Agência Brasil.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa recorde de desemprego foi de 14,6%, sendo a maior registrada desde 2012. Apesar de o dado ser expressivo por si só, verifica-se através dele uma diferença importante, que diz respeito ao gênero de trabalhadores. Enquanto entre os homens o índice foi de 12,8%, sobe para 16,8%, entre mulheres.

As mulheres que buscam empreender apresentam demandas distintas, que variam de acordo com seu perfil (Foto: Agência Brasil)

Apesar do desejo de tocar o próprio negócio, as mulheres ainda sentem constrangimento ao solicitar empréstimo aos bancos, como revela a pesquisa O Impacto da Pandemia do Coronavírus nos Pequenos Negócios, elaborada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV).

Na avaliação de Marisa Cesar, CEO do Grupo Mulheres do Brasil, que promove diversas ações de incentivo ao protagonismo feminino, as mulheres são ensinadas a duvidar de seu potencial, o que resulta em uma falta de confiança que não é tão percebida em homens, já que eles são estimulados a confiar em suas habilidades e projetos. “Muitas vezes, essa mulher [que pretende abrir um negócio] vai deixar de pedir um valor maior, para não passar vergonha de, de repente, o score dela não ser de acordo com o valor que ela está contando como crédito. Ela prefere pedir valor menor, para não passar vergonha, como se fosse ficar um carimbo nela. Isso é interessante, porque o homem, ele pede o que tiver que pedir e, se não der, paciência. É toda uma questão de como somos educadas, por conta do machismo”, diz a CEO.

Para Marisa Cesar, as mulheres que buscam empreender apresentam demandas distintas, que variam de acordo com seu perfil. Ela explica que é comum que algumas delas necessitem de capacitação e orientação para saber como fazer o marketing de seu produto ou serviço e que devem separar as finanças pessoais do dinheiro que destinam ao negócio.

Por outro lado, pontua Marisa, mulheres com uma condição socioeconômica melhor também encontram percalços pelo caminho, devido ao machismo, embora disponham de mais recursos. “A gente já assistiu a muitas cenas em que ocorre um divórcio e o marido acaba pegando o negócio dela e levando embora com ele”, relata.

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