No AM, só 35% da renda é de fonte de trabalho

IBGE mostra que, no ano passado, entre os rendimentos de outras fontes, o mais frequente na população do Amazonas era aquele proveniente de aposentadoria ou pensão

Manaus – No Amazonas, somente 35% da população com rendimentos no ano passado tinham sua renda proveniente de trabalho. Isso coloca o Estado em penúltimo lugar entre os da Região Norte, à frente apenas do Acre com 31,8%. Os dados constam da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgados, nesta quarta-feira, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No Amazonas, somente 35% da população com rendimentos no ano passado tinham sua renda proveniente de trabalho. (Foto: Arlesson Sicsú/Arquivo DA)

Entre os rendimentos de outras fontes, o mais frequente na população era aquele proveniente de aposentadoria ou pensão. Em 2017, 6,8% da população recebia aposentadoria ou pensão; 1,8%, pensão alimentícia, doação ou mesada de não morador; 1,1%, aluguel e arrendamento; enquanto 10,4% recebiam outros rendimentos, categoria que inclui seguro-desemprego, programas de transferência de renda do governo e rendimentos de poupança.

Os residentes no Estado que declararam possuir algum rendimento, no ano passado, recebiam, em média, R$ 1.737, contra R$ 1.556, em 2016. Apesar da elevação da renda, o trabalhador local possui apenas a terceira melhor média no rendimento de todas as fontes, atrás de Amapá (1.924) e Roraima (1.913).

De acordo com o IBGE, do total de 17,7 milhões de pessoas residentes no Norte em 2017, 9,2 milhões (52,6%) possuíam algum tipo de rendimento. Em Tocantins, 57,7% de população residente tinha algum tipo de rendimentos. Em Rondônia, (57,4%). No Pará, o percentual era de 52,8%; em Roraima (52,6%), no Acre (50,5%), em Amapá (48,7%). Na região, o Amazonas ficou com a quinta posição, onde 49% da população tinham renda.

Miseráveis

No País, a pesquisa apontou que o Brasil ainda tinha 10,355 milhões de cidadãos vivendo com apenas R$ 40 por mês, em média.A situação é ainda mais grave do que a verificada no ano anterior, quando a renda média mensal dessas pessoas alcançava R$ 49. Ou seja, os brasileiros mais pobres ficaram 18,4% ainda mais miseráveis.

Ao mesmo tempo, no topo da pirâmide, apenas 2 milhões de brasileiros, o equivalente a 1% da população residente, recebiam R$ 15.504 mensais, 387,6 vezes mais do que aqueles 10 milhões mais pobres.

A desigualdade aumentou em quatro das cinco grandes regiões do Brasil na passagem de 2016 para 2017. Mesmo no Sudeste, onde houve ligeira queda no Índice de Gini, o recuo na concentração de renda foi influenciado por uma precarização do emprego, que afetou postos mais qualificados e mais bem remunerados, apontou o IBGE.