‘Nômade digital’ ganha força em tempos de emprego home office

O trabalho remoto pode ter chegado para ficar, uma vez que tanto empresas quanto funcionários viram vantagens em não ter de ir ao escritório todos os dias

Brasília – Com a pandemia de coronavírus, 8,7 milhões de brasileiros estão em home office, segundo a última pesquisa Pnad Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mesmo com uma vacina e com o fim do isolamento social, o trabalho remoto pode ter chegado para ficar, uma vez que tanto empresas quanto funcionários viram vantagens em não ter de ir ao escritório todos os dias. Desta forma, pode crescer o contingente dos profissionais chamados de ‘nômades digitais’.

Esses profissionais, que viajam o mundo com um computador e encontram emprego pelo caminho, já existiam antes da pandemia. Mas, nos últimos meses, alguns países criaram incentivos para atrair esses trabalhadores, aproveitando o trabalho remoto compulsório.

Home office veio para ficar e ganha cada vez mais adeptos (Foto: Divulgação)

No mês passado, a Estônia passou a oferecer um visto para os que queiram viver por até um ano no país. Para se candidatar, o profissional precisa trabalhar ou ser sócio de uma empresa registrada em outro país ou trabalhar como freelancer para clientes que também estejam no exterior. “Havia uma demanda por profissionais que gostariam de estar na Estônia e continuar trabalhando. Esse tipo de profissional não vem para ficar muitos anos, mas alguns meses, e usa visto de turista. Então, pensamos em criar o Digital Nomad Visa (visto de nômade digital)”, explica Ott Vatter, diretor da e-Residency, programa que permite que não-residentes abram empresas na Estônia.

Segundo a e-Residency, mais de 100 brasileiros pediram informações sobre esse visto. Mas, por enquanto, não está autorizada a emissão para profissionais do Brasil, pois há restrições de entrada na União Europeia por causa da Covid-19. Hoje, cerca de 320 brasileiros vivem no país.

Ampliação

Quem trabalha em uma empresa que anunciou o home office permanente pode começar a planejar a carreira como nômade digital. A líder da área de marketing (CMO) da Revelo – empresa de tecnologia do setor de RH -, Patricia Carvalho, explica que, no mundo pós-pandemia, é provável que o leque de profissionais que permitam a prática seja ampliado. “Antes, existiam áreas específicas nas quais as pessoas poderiam ser nômades, como tecnologia, fotografia, marketing digital. O publicitário navegava bem nisso. Agora, como a gente experimentou diferentes profissões online, o leque se abre até a carreiras menos flexíveis, como contador, administrativo, financeiro e advogado”.

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