Norte tem menos jovens endividados, de acordo com pesquisa

Por ganhar menos, jovens tem menos dívidas, porém a tendência é comprometer mais a renda com a idade com novos gastos como a educação dos filhos, por exemplo

Manaus – A Região Norte, com uma população de cerca de 16 milhões de pessoas, possui 4,9 milhões de inadimplentes, ou 31% da população local. Os jovens de 18 a 25 anos da Região Norte são os que possuem as menores dívidas em comparação com as outras regiões brasileiras, apresentando tíquete médio em dívidas no valor de R$ 1,7 mil.

A Região também possui o segundo menor valor médio de dívida do Brasil entre todas as faixas etárias, com R$ 3,6 mil, ficando atrás apenas do Nordeste.

Os dados são de um estudo realizado pela Associação Nacional dos Bureaus de Crédito (ANBC) com base no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e que mostra de que forma a inadimplência se distribui hoje entre as gerações, nas diversas regiões brasileiras. Atualmente, cerca de 60 milhões de pessoas têm contas em aberto no País, o que equivale a 40% da população economicamente ativa.

Faixa dos 18 a 25 anos do Norte têm as menores dívidas do País (Foto: Agência Brasil/Arquivo)

Na Região Norte, a faixa etária entre 41 e 50 anos é a mais endividada, contando com 938 mil inadimplentes e dívida média de R$ 4,4 mil. Já o grupo acima dos 61 anos apresenta o menor número de inadimplentes, com 471 mil pessoas, e dívida média de R$ 4,1 mil. Por outro lado, entre 51 e 60 anos, destaque para o tíquete médio mais alto do Norte, no valor de R$ 4,9 mil, para um contingente de 543 mil inadimplentes.

O fato de os mais jovens apresentarem índices menores é natural, pois ganham menos e têm seus gastos menos comprometidos, assim como sua capacidade de obter crédito. Mas comparativamente às outras faixas etárias, na verdade, o que o estudo constata é que os jovens já apresentam um endividamento alto, que tende a se agravar com a idade na medida em que assumem outros compromissos mensais, como a educação dos filhos, por exemplo.

“Ao considerar os dados nacionais e regionais, percebemos que a inadimplência tem fatores peculiares em cada momento da vida. Os jovens sofrem com o cenário de desemprego, e a dificuldade de acesso ao Ensino só piora esse quadro. Os mais velhos têm outros motivos de onerosidade excessiva do orçamento, como uma família para sustentar, o que por si só já aumenta muito os gastos”, disse o presidente da ANBC, Elias Sfeir.

Ainda segundo o executivo, além da necessidade de criar oportunidades de trabalho para os mais jovens, a melhor forma de evitar a inadimplência é o planejamento financeiro. Para ele, o novo Cadastro Positivo deve ter uma forte contribuição para aumentar a transparência de informações e melhorar a avaliação de crédito.

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