País tem 12,3 milhões de desempregados segundo o IBGE

No trimestre móvel encerrado em fevereiro, antes, portanto, da Covid-19 paralisar o País, a taxa de desemprego ficou em 11,6%, abaixo dos 12,4% de um ano antes, conforme pesquisa

Brasília – A crise econômica provocada pela pandemia do novo coronavírus se abaterá sobre um mercado de trabalho que começou o ano no mesmo ritmo de lenta recuperação visto ao longo de 2019: no trimestre móvel encerrado em fevereiro, antes, portanto, da Covid-19 paralisar o País, a taxa de desemprego ficou em 11,6%, abaixo dos 12,4% de um ano antes, com geração de 1,8 milhão de vagas, a maioria informais, informou nesta terça-feira (31), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Brasil tem hoje 12,3 milhões de desempregados.

A taxa de desemprego deve terminar 2020 com uma média de 13% (Foto: Divulgação/IBGE)

Se o cenário já não era animador, tende a ficar pior com a pandemia. A taxa de desemprego deve terminar 2020 com uma média de 13%, estimam os analistas ouvidos pelo Estadão/Broadcast, após chegar a 16% nos próximos meses.

Um dos sinais de preocupação nos dados do IBGE é a diminuição do ritmo de melhora, observa o economista-chefe do ASA Bank, Gustavo Ribeiro. Ele ressalta que são os empregos sem carteira assinada que impulsionaram a criação de vagas – um indício de menor qualidade do mercado de trabalho.

Para a analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE, Adriana Beringuy, o desemprego poderá até cair num primeiro momento, mesmo que os trabalhadores percam seus empregos. “Tem casos de pessoas que vão perder seu trabalho, mas não necessariamente quem perde sua ocupação vai imediatamente pressionar o mercado procurando”.

Segundo ela, por causa do isolamento social, as pessoas podem não ter condições de procurar emprego. Por isso, a tendência é que, a partir de março, haja redução da população ocupada, especialmente entre os trabalhadores informais, e aumento da população fora da força de trabalho ou na força de trabalho potencial.

A renda média real do trabalhador foi de R$ 2.375 no trimestre encerrado em fevereiro, queda de 0,3% em relação ao número do mesmo período do ano anterior. Inicialmente, o IBGE informara que a renda média real do trabalhador havia crescido 3,9% em relação a igual período de 2019. Em relação ao trimestre móvel imediatamente anterior, houve uma ligeira alta, de 0,1%.

Já a massa de renda real habitual paga aos ocupados somou R$ 217,6 bilhões no trimestre até fevereiro, teve alta de 1,9% ante igual período de 2019. Anteriormente, o IBGE havia informado que a alta teria sido de 6,2%. Em relação ao trimestre móvel imediatamente anterior, a massa de renda caiu 0,6%.

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