Pedidos de estrangeiros para trabalhar no AM despenca 82% entre 2011 e 2016

O Observatório das Migrações Internacionais destaca que além de afetar milhões de brasileiros, a crise atingiu, também, a inserção dos estrangeiros no mercado de trabalho do País

Manaus – O número de autorizações de trabalho concedidas a estrangeiros no Amazonas caiu 82% entre 2011 e 2016, segundo o relarório anual do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), que tem apoio do Conselho Nacional da Imigração (Cnig) e do Ministério do Trabalho. Com relação a 2015, o estudo aponta um recuo de 35% no Estado, bem acima da média do País, onde as autorizações de trabalho a estrangeiros caíram 13%, em 2016.

Árlesson Sicsú/Divulgação

O relatório destaca que além de afetar milhões de brasileiros, a crise que o Brasil atravessa desde 2014 atingiu também a inserção dos estrangeiros no mercado, interrompendo, em 2016, a tendência positiva quanto à contratação de imigrantes, verificada entre 2010 e 2015.

O coordenador da pesquisa, Leonardo Cavalcanti, disse que os efeitos da crise demoraram mais para atingir os trabalhadores estrangeiros do que o conjunto dos brasileiros, devido à concentração dos imigrantes em setores cujos reflexos do desaquecimento da atividade econômica tardaram mais a ocorrer.

“Em 2015, enquanto os brasileiros sentiam os efeitos da forte crise econômica, os imigrantes continuaram com um saldo positivo de contratações. Já em 2016, eles passaram a ser mais afetados pela crise”, afirmou Cavalcanti, destacando que os dados relativos ao primeiro semestre deste ano apontam para uma possível melhora do quadro geral. O coordenador ressalta ainda que não há porque o brasileiro se preocupar com o fluxo imigratório. “Os imigrantes não vêm ao Brasil roubar empregos, eles representam menos de 1% da população presente em todo o território brasileiro”, disse.

Haitianos

Desde 2013, os haitianos ocupam o primeiro lugar entre os estrangeiros inseridos no mercado de trabalho formal brasileiro. “Por meio dos dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) constatamos que o número de haitianos no mercado de trabalho formal diminuiu em 2016 – representado em 30% de variação negativa entre 2016/2015. Apesar da diminuição e ter sido a nacionalidade que mais perdeu postos de trabalhos formais de 2015 para 2016 em números absolutos, os haitianos seguem como a principal nacionalidade no mercado de trabalho brasileiro”, aponta o estudo.

Dentre as ocupações dos trabalhadores haitianos, as que mais empregaram foram Servente de Obras, Alimentador de Linha de Produção e Faxineiro, em 2016.

Venezuelanos

Segundo o relatório, Manaus é o segundo município do Brasil com maior movimentação de venezuelanos 15% do total, atrás apenas de Boa Vista com 34%. Na capital amazonense, o saldo de empregos em 2016 foi positivo com 77 novas vagas para os nacionais da Venzuela.

Dentre os 839 trabalhadores venezuelanos admitidos no mercado formal de trabalho brasileiro, em 2016, 57% tinham nível Médio completo, e 28% nível Superior completo. Nenhum dos grupos de escolaridade apresentou saldo negativo.

As principais ocupações desempenhadas por trabalhadores venezuelanos no mercado formal de trabalho brasileiro, em 2016, em relação ao total de admissões foram: Auxiliar nos Serviços de Alimentação (6%), Vendedor de Comércio Varejista (6%), Atendente de Lanchonete (5%) e Cozinheiro Geral (5%).

Perspectivas

No primeiro semestre de 2017, a movimentação de trabalhadores imigrantes no mercado formal de trabalho brasileiro mostrou resultados diferentes dos analisados no ano anterior. Com saldo positivo, de janeiro até junho, foram 22,2 mil admissões contra 17,5 mil desligamentos. Nos seis primeiros meses, o balanço entre admissões e demissões foi positivo.

No Amazonas, o saldo de emprego para estrangeiros chegou a 40 novas vagas no primeiro semestre do ano.