Petrobras investe R$ 25 milhões na valorização da cultura indígena

Trinta e quatro povos são beneficiados por quatro projetos do Programa Petrobras Socioambiental

Brasília – Até 2027, a Petrobras investirá R$ 25 milhões nos projetos Raízes do Purus, Berço das Águas, Biodiverso e Ar, Água e Terra, que vão realizar ações ligadas à valorização do modo de vida indígena e a conservação dos biomas Cerrado, Amazônia, Pampa e Mata Atlântica.

(Foto: Divulgação / Petrobras)

Aliar o conhecimento tradicional com a gestão sustentável no uso da terra é uma das estratégias desses quatro projetos da linha de Florestas do Programa Petrobras Socioambiental que atuam diretamente com 34 povos indígenas no Mato Grosso, Amazonas e Rio Grande do Sul e têm a participação direta de quase 2 mil pessoas.

“Os povos indígenas têm uma conexão com a natureza e um conhecimento ancestral sobre as florestas muito genuíno. São os responsáveis pela conservação de áreas que abrigam relevantes estoques de carbono e biodiversidade que contribuem para amenizar as crises ambientais que vivenciamos. Escutar essas vozes e aprender sobre o modo de vida e a diversidade cultural desses povos significa compreender que fazemos parte de um lugar.

Ao investir em projetos que atuam com povos indígenas, trazemos para dentro da Petrobras muitas lições sobre cuidados com as pessoas e o meio ambiente além de soluções baseadas na natureza para pensarmos na transição energética justa que faz parte do plano estratégico da companhia”, afirma Gregório Araújo, gerente de Projetos Ambientais da Petrobras.

Raízes do Purus gera renda o com uso sustentável da floresta

A partir do fortalecimento de organizações coletivas e estratégias de uso sustentável e ocupação de seis terras indígenas no Amazonas, o projeto Raízes do Purus contribui para preservar os modos de vida dos povos indígenas e para conservar a biodiversidade numa área de aproximadamente 2,3 milhões de hectares.

O intercâmbio de conhecimentos e de gestão, com ampla participação dos indígenas, recupera conhecimentos tradicionais para o manejo sustentável de recursos pesqueiros e produtos florestais não madeireiros para gerar renda, manter a comunidade coesa e a floresta em pé.

Um exemplo bem-sucedido vem das terras indígenas Paumari e do território do povo Deni do rio Xeruã onde o pirarucu, maior peixe de água doce do mundo, que pode chegar a 3 metros e 200 quilos, saiu da escassez à abundância. Em 2023, o manejo sustentável de pirarucu gerou um faturamento de cerca de R$ 317 mil com a produção de 39,7 mil quilos de pescado.

Já o povo Apurinã trabalha com o manejo do açaí e da castanha-da-amazônia, esta também coletada pelos povos Banawa; e os Jamamadi são especialistas no extrativismo do óleo de Copaíba. A produção desses produtos não madeireiro alcançou um faturamento superior a R$ 90 mil com a produção de 21,5 mil quilos. Para além da atividade econômica e da cultura, essas atividades impactam positivamente na gestão de associações, vigilância territorial e proteção ambiental, beneficiando 403 pessoas nas aldeias.

Biodiverso e Berço das Águas renovam parceria com a Petrobras até 2027

Os projetos Biodiverso e Berço das Águas vão consolidar até 2027 a gestão iniciada em ciclos anteriores da parceria com a Petrobras em Terras Indígenas no estado do Mato Grosso. Juntos, esses projetos atuarão em área de cerca de 2,4 milhões de hectares de terras dos povos Erikpatsa, Escondido, Japuíra, Apiaká do Pontal e Isolados, Aripuanã, Arara do Rio Branco, além da Reserva Estadual Extrativistas Guariba-Roosevelt. Uma das prioridades desses projetos é ampliar o nível de conhecimento e de geração de renda de mulheres indígenas e ribeirinhas. A ideia é capacitá-las para aprimorar práticas produtivas, fortalecer a produção e recepção de artesanatos, além de implantar unidades de referência tecnológica de produção de mel e derivados.

Ár, Água e Terra nas planícies do sul

Com atuação em dez municípios do Rio Grande do Sul, o Projeto Ar, Água e Terra se dedica a promover a gestão sustentável de territórios indígenas Guarani, que estão na Mata Atlântica e no Pampa. O próprio nome do bioma Pampa tem origem língua indígena quíchua que significa “plano” ou “planície”. O projeto trabalha especialmente com ações de reconversão produtiva de áreas, recuperação e conservação da biodiversidade, além de educação ambiental.

Os roçados tradicionais guaranis com agricultura de subsistência aliado a implantação de sistemas agroflorestais contribui para a segurança alimentar além de ampliar a cobertura vegetal, já que nesses sistemas o cultivo agrícola está integrado à floresta natural.

Entre as ações a serem realizadas até abril de 2027, o Ar, Água e Terra conservará uma região onde há ocorrência de espécies vulneráveis ou criticamente em perigo, como Araucária, presente em algumas aldeias isoladas na serra e no litoral; a Erva-mate, oriunda da cultura guarani que se tornou símbolo do Rio Grande do Sul; e a Butiá, palmeira nativa da América do Sul, entre outras espécies.

Em quatro edições do Ar, Água e Terra, desde 2010, com o patrocínio da Petrobras, mais de 3 mil hectares de terras nos biomas Pampa e Mata Atlântica tiveram ações de conservação com a participação de 10 aldeias guaranis e o plantio de mais de 30 mil mudas de mais de 100 espécies nativas da região sul. Também foram contabilizados a redução de emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE) de 7,7 mil toneladas de CO2 associadas à área de recuperação e proteção/conservação ambiental.

Tradição e Futuro da Amazônia encerra primeiro ciclo com importante legado

Entre junho de 2020 e dezembro de 2023, o Tradição e Futuro da Amazônia atuou em cinco terras indígenas – Baú, Capoto/Jarina, Las Casas, Kayapó e Menkragnoti. Um dos legados deste primeiro ciclo do projeto foi a construção do Plano de Gestão Territorial e Ambiental da terra indígena Menkragnoti construído coletivamente como uma ferramenta de gestão e planejamento dos indígenas.

O Tradição e Futuro na Amazônia também concluiu um estudo sobre estoques de carbono nas terras indígenas Kayapó que contabilizou aproximadamente 879 milhões de toneladas de carbono estocadas nas cinco terras indígenas apoiadas. Isso significa que o povo Mêbẽngôkre-Kayapó evita, por ano, o lançamento de 3,5 mil toneladas de CO2 na atmosfera, o equivalente às emissões de 750 viagens de avião entre Brasília e Tóquio.

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