‘Reabertura do varejo não significa vendas’, diz empresário

As empresas deverão observar o comportamento do consumidor em relação à renda e aos cuidados de saúde com o isolamento social e que deverão se prolongar por tempo indeterminado

Manaus – Como ficará a economia pós-pandemia de Covid-19 no setor comercial do Amazonas? A questão foi respondida pelo presidente do grupo TV Lar, Antônio Azevedo, durante o programa semanal Economia Em Debate, do Conselho Regional de Economia do Amazonas (Corecon-AM). “Acredito que seremos duplamente atingidos: pela redução da demanda em função da crise e pelo aumento abrupto da inadimplência, principalmente porque muitos vão perder renda e emprego. Isso vai refletir no nível do crédito, que ficará muito mais seletivo”, afirmou.

Para o empresário, o endividamento do consumidor, que já era alto antes da crise, também é um componente que tende a agravar a situação. Ainda segundo o empresário, a reabertura das lojas e do comércio não significará a retomada das vendas. Para isso, as empresas deverão observar o comportamento do consumidor em relação à renda e aos cuidados de saúde pautados pelo isolamento social e que deverão se prolongar por tempo indeterminado.

“O ideal seria que as empresas adotassem medidas de segurança para garantir a volta e dar credibilidade ao consumidor como a distribuição de máscaras e álcool em gel, a observância do numero máximo de clientes na loja. Isso vai perdurar por meses, talvez até ano que vem, então é o momento de se preparar. As empresas precisarão ter um protocolo muito rígido quanto a isso”, afirmou.

Para Azevedo, inadimplência do consumidor tende a aumentar (Foto: Yago Frota/GDC)

Em relação ao crédito, Azevedo observou que, no Amazonas, o cartão de crédito é utilizado como moeda e o crediário como moeda complementar para compra de bens duráveis, o que pode ser uma saída. “Não se dissocia pessoas de economia. A atividade econômica também se trata de vidas. E da garantia dessas vidas e do emprego. O mundo inteiro está aprendendo a lidar com isso”, afirmou.

“O governo precisará também providenciar mais testes porque precisaremos voltar a trabalhar: não tem política econômica nem fiscal que garanta a economia senão por meio do trabalho. Precisaremos voltar, mas com segurança. Os governadores precisam usar da tecnologia para ter decisões mais assertivas. A retomada será gradativa e as empresas precisarão se preparar para sobreviver este ano, para passar para o próximo”, completou.

Durante o programa, o economista Jefferson Praia, apresentador do Economia Em Debate, ponderou que o atual contexto “abriu uma nova janela para as empresas que é o e-commerce”. “A situação de pandemia apenas acelerou esse processo de preparação para o futuro”, disse.

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