Renda do trabalhador no AM cai 31%, em um ano

Números do IBGE mostram retração maior entre os empregados informais. Já os trabalhadores por conta própria elevaram os ganhos em 15% no 2º trimestre sobre o mesmo período do ano passado

Manaus – Os empregados sem carteira assinada ou informais no Amazonas tiveram as maiores perdas na renda entre as posições ocupadas no segundo trimestre do ano. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a retração foi de 8,7%, com relação ao primeiro trimestre, e de 31,3%, na comparação com o mesmo período do ano passado.

Em média, a renda das pessoas ocupadas no Estado melhorou 3,7% na comparação do segundo trimestre com o trimestre anterior e de 2,4% com relação ao segundo trimestre de 2016. Em sentido contrário, os trabalhadores por conta própria tiveram a maior alta nos rendimentos, de 10,6%, no segundo trimestre em relação ao primeiro e de 15,1%, na comparação com igual intervalo do ano passado.

Na Região Metropolitana de Manaus, a taxa de desocupação no segundo trimestre atingiu 18,8% (Foto: Sandro Pereira)

Segundo o IBGE, em média, o trabalhador do Amazonas recebeu R$ 1.752 no segundo trimestre, uma melhora de R$ 63 em relação ao primeiro e de R$ 41 frente ao mesmo período de 2016.

A renda dos trabalhadores com carteira assinada passou de R$ 1.646, no primeiro trimestre do ano, para R$ 1.663, no trimestre seguinte, uma leve melhora de R$ 17. Enquanto que a dos trabalhadores informais caiu de R$ 1.060 para R$ 967, na mesma comparação.

De acordo com a pesquisa do IBGE, a maior renda que corresponde ao empregador, R$ 5.916, também teve queda de 2,2%, do primeiro trimestre para o segundo, e aumento de 4% com relação a 2016.

Desocupação

A taxa de desocupação no Amazonas caiu 2,2 pontos percentuais no segundo trimestre de 2017, em relação ao anterior, e ficou em 15,5%. Essa foi a primeira queda na comparação trimestre com trimestre anterior, desde 2015. A taxa de desocupados em Manaus, 19,8%, foi a maior do País, junto com São Luís (MA).

A queda no índice do Estado veio logo após o Amazonas registrar a maior taxa de desocupados da série histórica do IBGE, no primeiro trimestre do ano, 17,7%. Com relação ao segundo trimestre de 2016, a taxa ainda é 2,3 pontos percentuais maior. “Ainda é cedo para comemorar, porque se formos analisar a serie histórica, essa taxa de desocupação começou a subir lá em 2015 e agora no segundo trimestre de 2017 que a gente tem essa primeira redução. Temos que esperar os próximos resultados”, destaca o chefe do IBGE no Amazonas, Ilcleson Mendes.

Com o resultado, o número de pessoas desocupadas no Estado passou de 324 mil no primeiro trimestre do ano para 282 mil no segundo trimestre. Na Região Metropolitana de Manaus, a taxa de desocupação no segundo trimestre alcançou 18,8%, com uma variação de 1,5 ponto percentual em relação ao trimestre anterior.

O nível de ocupação, que representa o percentual de pessoas ocupadas em relação às pessoas em idade de trabalhar chegou a 53,8% no segundo trimestre, um aumento de um ponto percentual em relação ao trimestre anterior e de 1,5 ponto em relação ao mesmo período do ano passado.

A população em idade de trabalhar no Amazonas alcançou 2,87 milhões de pessoas, um aumento de 26 mil pessoas (0,9%) do primeiro para o segundo trimestre de 2017. Os setores com maior incremento de pessoas ocupadas no segundo trimestre foram os setores de serviços e administração pública.

Construção civil liderou perda do poder de compra do salário

No grupamento de atividades, a construção civil foi o setor com maior queda na renda, 22,2%, no segundo trimestre, em relação ao segundo, e de 11,7%, na comparação com o mesmo trimestre do ano passado. A renda média desse setor passou de R$ 1.455 para R$ 1.133 no trimestre seguinte.

Na outra ponta, o setor de serviços de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas teve incremento de 24,7% e de 14,7%, nas mesmas comparações.

A massa de rendimentos no Estado subiu de R$ 2,22 bilhões, no primeiro trimestre de 2017, para R$ 2,41 bilhões, no trimestre seguinte. Uma elevação de R$ 188 milhões.

Para o chefe do IBGE no Amazonas Ilcleson Mendes, a melhora da taxa de ocupação no Estado manteve a renda média estável, mas elevou a massa de rendimento em 8,4%, no segundo trimestre. “De um modo geral, esse indicador se manteve estável para todos os grupamentos de atividade pesquisadas, mas a massa de rendimento – que é a soma das rendas de todas as pessoas ocupadas no período – teve uma pequena elevação”, disse.