Saiba como descobrir se o seu CPF está sendo usado por terceiros

Uma plataforma gratuita do Banco Central permite se prevenir e checar regularmente se alguém está usando seu CPF

São Paulo – Com o aumento do número de golpes e vazamentos de dados, muitas pessoas só descobrem que estão com o nome sujo quando recebem um comunicado da empresa credora ou na hora de realizar um empréstimo. Mas é possível se prevenir e checar regularmente se alguém está usando seu CPF indevidamente por meio do Registrato, uma plataforma gratuita do Banco Central.

Sistema do Banco Central permite verificar se há tentativas ou realizações de transações bancárias fraudulentas com seu CPF  (Foto: Márcio Fernandes/Estadão)

Desde 2014 a ferramenta tem facilitado o acesso dos cidadãos a dados pessoais mantidos em cadastros administrados pelo BC. Somente em 2021, foram emitidos 7,6 milhões de relatórios, sendo que, no ano anterior, esse número não passou de 3 milhões.

De acordo com o órgão, as consultas têm aumentado, principalmente, por causa da inclusão de novos tipos de relatório no sistema, como chaves Pix, cheques sem fundos e cadastros de inadimplentes com o governo federal.

Para fazer a consulta, basta realizar um cadastro no site do Registrato. Qualquer pessoa consegue verificar se o CPF está sendo usado para abrir contas ou se há suspeitas em instituições financeiras que possam acender o alerta de possíveis fraudes. Além disso, é possível ver informações sobre financiamentos e cheques devolvidos, verificar as chaves PIX cadastradas em seu nome e dados sobre operações de câmbio e transferências internacionais.

Para não ser pego de surpresa, há ainda outra opção além da ferramenta do BC. É possível checar se o nome está sujo nas plataformas da Serasa e do SPC Brasil. O serviço gratuito de consulta ao CPF é oferecido por meio de aplicativo — disponível no Google Play ou na App Store — e indica qualquer dívida que tenha sido registrada, restrições em seu nome, protestos em cartório, ações judiciais ou problema na situação cadastral.

Fui vítima de fraude. E agora?

Ao perceber consultas suspeitas no CPF, o primeiro passo é procurar a empresa que forneceu algum crédito em seu nome e, em seguida, a instituição financeira, para alertar sobre esse uso indevido.

Além disso, a Serasa orienta que é preciso tomar alguns cuidados com o próprio número do CPF, como evitar confirmar dados por telefone e fornecê-los em formulários nos quais esse tipo de informação não seja obrigatória.

Outra dica importante é não permitir que funcionários de lojas usem documentos sem que você esteja presente. Vale ressaltar que, se o seu documento for perdido ou roubado, é recomendado fazer um boletim de ocorrência para evitar possíveis fraudes, juntando provas sobre o golpe, como as consultas suspeitas.

Depois disso, o processo será aberto sobre a fraude, e a empresa credora deverá cancelar o empréstimo e resolver o caso sem causar dano ao consumidor.

Mas, se mesmo depois do registro a empresa se recusar a desfazer a operação, caberá ao consumidor procurar o Procon ou ajuizar uma ação judicial para pedir ressarcimento dos prejuízos causados.

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