Trabalho informal faz desemprego recuar, aponta IBGE

Desemprego ficou em 11,6% no trimestre encerrado, em outubro. Apesar do recuo, o total de desempregados ainda é de 12,367 milhões de pessoas, 0,5% maior do que o do ano passado

Brasília – A ligeira queda na taxa de desemprego mostra um mercado de trabalho que segue se recuperando lentamente, repetindo o cenário dos últimos meses, em que as ocupações informais lideram a geração de vagas. A taxa ficou em 11,6% no trimestre móvel terminado em outubro, informou nesta sexta-feira (29), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ante a taxa de 11,7% registrada um ano antes O total de desempregados ainda é de 12,367 milhões de pessoas, contingente 0,5% maior do que o contabilizado no ano passado.

“A recuperação é lenta e depois de uma recessão muito profunda, em que os trabalhadores ficaram muito tempo sem emprego, a reinserção é mais difícil, porque também tem de se adaptar à evolução da tecnologia”, afirmou o economista-chefe da consultoria MB Associados, Sergio Vale.

A taxa de informalidade ficou em 41,2% da população ocupada (Foto: Pedro Girão/IBGE)

A taxa de informalidade (considerando a soma de todas as ocupações consideradas informais) ficou em 41,2% da população ocupada, ligeiramente abaixo do recorde de 41,4% atingido no terceiro trimestre. São 38,751 milhões de brasileiros atuando na informalidade, incluindo um recorde de 11,852 milhões de trabalhadores sem carteira assinada no setor privado.

O trabalho por conta própria, também marcado pela informalidade, alcançou 24,446 milhões de brasileiros no período. Desse total, 19,466 não têm CNPJ, ou seja, são informais.

Em um ano, o trabalho por conta própria ganhou a adesão de 913 mil pessoas – incluindo 544 mil sem CNPJ. A taxa de informalidade só não renovou o recorde porque houve redução no contingente de trabalhadores em algumas ocupações também informais.

“Não tem jeito, com uma crise dessa magnitude é natural que haja mais contratações informais”, afirmou Vale, da MB Associados. Para o economista, a taxa média de desemprego deverá seguir acima de dois dígitos até o fim do governo de Jair Bolsonaro. A expectativa para este ano é de 12%, caindo para 11,5% em 2020, 11% em 2021 e 10,3% em 2022.

Nas comparações entre períodos mais curtos, de um trimestre ante o imediatamente anterior, houve uma redução no ritmo de queda do total de desempregados, destacou a analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE Adriana Berenguy. Ainda assim, para a pesquisadora, essa perda de fôlego na queda do desemprego é insuficiente para sinalizar mudança de trajetória na lenta recuperação do mercado de trabalho, deixando o pior para trás, mas com geração de vagas via ocupações marcadas pela informalidade.

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