Uber planeja carro ‘voador’ e app delivery

 O Uber anunciou, na última quarta-feira, que os testes nos pequenos veículos elétricos que decolam  começam, em 2020.  A empresa  também  expande negócios para o segmento de entregas

São Paulo – Já imaginou viajar de uma cidade a outra em cerca de 15 minutos em um carro voador e com um preço acessível? O Uber anunciou, na última quarta-feira, que os testes nos pequenos veículos elétricos que decolam, apelidados de carros voadores, começam em 2020. A Embraer é uma das fabricantes, parceira no projeto audacioso da empresa de tecnologia e, segundo o gerente de comunicação da Uber no Brasil, Pedro Prochno, a proposta é levar até cinco pessoas.

Empresa de tecnologia apresenta estratégias em evento na sede paulista (Foto: Divulgação/Gisele Rodrigues)

O Uber já havia anunciado, em outubro do ano passado, a intenção de incluir aeronaves em seu serviço de carona paga. O planejamento é que a empresa de tecnologia fique responsável pelo sistema que vai receber os pedidos de deslocamento dos passageiros. Como ocorre nos aplicativos da empresa atualmente com carros e entrega de comidas e transporte de cargas, este último aplicado somente nos Estados Unidos, atualmente, informou a empresa, durante um evento, na última quarta-feira, na sua sede, em São Paulo.

A ideia é concorrer com os helicópteros que possuem altos níveis de poluição e pouca eficiência no que diz respeito à quantidade de combustível e distância percorrida. A meta é que os primeiros voos experimentais ocorram, em 2020, com a operação comercial prevista para 2023. O primeiro percurso deve ligar a cidade de São José dos Campos, onde fica a sede da Embraer, até a capital de São Paulo.

A empresa estimou que, no longo prazo, uma viagem do gênero entre São Paulo e Campinas poderia custar US$ 24 (cerca de R$ 75), valor inferior ao cobrado pela empresa para realizar o mesmo deslocamento de carro.

Batizado de Uber Air, o projeto, porém, deverá enfrentar entraves regulatórios e técnicos, como a duração da bateria das aeronaves. Além da Embraer, a companhia americana fechou parceria com outras empresas – Aurora Flight Sciences (americana de drones e helicópteros), Pipistrel Aircraft (fabricante de aviões de pequeno porte da Eslovênia), Mooney (também de aviões) e Bell Helicopter (de helicópteros militares) – para desenvolver a nova modalidade do serviço.

A brasileira, entretanto, é a de maior porte. O Uber também vem realizando testes de carros autônomos nos Estados Unidos. As pesquisas nesse segmento, no entanto, são feitas por engenheiros da própria empresa. Imagens do protótipo ainda não foram divulgadas pela Uber, mas os modelos tendem a ser, segundo a empresa, semelhantes aos helicópteros.

Os planos do Uber são claros e audaciosos: primeiro disseminar o uso de carros compartilhados UberPool; depois, o carro sem motorista, também em fase de teste em duas cidades e que poderia reduzir em 90% a quantidade de automóveis nas cidades. Por último, o carro voador. Ao abrir o aplicativo, o usuário verá a opção do Uber Air. Diminuir o número de carros é a principal meta.

“Um carro fica cerca de 95% do tempo parado em vagas de estacionamento. Para se ter uma ideia 25% da cidade de São Paulo tem espaço dedicado exclusivamente para estacionamento. Temos transportes ineficientes e desiguais e o Uber quer mudar isso”, disse Prochno.

Integrar todas as plataformas de transporte público e privado também faz parte dos planos do Uber. “O futuro é o compartilhamento dos carros e a integração dos transportes públicos e privados”, disse.

 

Uber Eats

E não é só mercado de transporte de pessoas que o Uber está querendo dominar. A ideia de unir um aplicativo de pedidos de delivery de comida a motociclistas – e ciclistas.

Os motoboys e ciclistas podem ter uma fonte de renda extra com esse serviço. Como? Os restaurantes passam a parte da logística para o Uber. Com o aplicativo, entregadores se ‘filiam’ como parceiros, seguindo a mesma dinâmica dos motoristas da Uber. Com uma taxa fixa para os clientes que pedem a comida e os entregadores recebem conforme a tarifa variável de demanda versus oferta.

Uma das representantes da Uber no Brasil, Gabriela Manzini, que a empresa dá o suporte para montar o cardápio, desde as fotos até as escolhas dos pratos carros-chefe do empreendimento. Com a contratação do serviço, o restaurante ganha do Uber um raio x sobre os gostos dos clientes, bairros onde são feitos a maioria dos pedidos, e melhorias, tudo em tempo real.

A customização do cardápio, segundo Manzini, também ocorre em tempo real. “Acabou o tomate, ele não precisa fechar o restaurante porque acabou. No aplicativo ele retira esse ingrediente e automaticamente todos os pratos que possuem o tomate são desligados, ele não precisa fechar o restaurante”, explicou.

Um dos casos de sucesso da Uber Eats em São Paulo – a Lanchonete Burguer – contava com uma filial  e dois motoboys. Após a contratação do Uber Eats, em seis meses abriu uma segunda unidade.

“O Burguer já chegou a ter 66 motoboys prontos para pegar os pedidos. Eles nunca teriam como conseguir ter 66 motoboys. Antes, conseguiam atender um número muito limitado de clientes”, disse.

“A gente tem a plataforma aberta, um número ilimitado de motoboys, assim como acontece na Uber. A gente entrega uma grande quantidade de dados. O restaurante consegue saber, por exemplo, qual o pão que sai mais, o dia da semana que precisa de mais gente na chapa, o horário que ele tem mais pedidos”, explicou.

A Uber Eats está presente somente em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, mas a empresa promete ampliar o serviço até o final do ano para outras cidades.

Em Manaus, outdoors  vêm chamando atenção sobre a entrega de bebidas e comidas com estreia no dia 7 de agosto, mas a companhia não confirma a chegada do aplicativo para a capital. “Por enquanto não temos previsão”, disse Gabriela Mazini.

 

*A repórter viajou a convite do Uber Brasil

Anúncio