Unimed Manaus busca sanar dívidas em três meses

Planos de recuperação da cooperativa de saúde envolvem três linhas de ação. Valor do déficit é de R$ 500 mil, mas a empresa opera em equilíbrio de janeiro a maio, segundo a diretoria

Manaus – Numa tentativa de sanar o déficit de R$ 500 milhões, a Unimed Manaus está buscando alternativas como a parceria com a Central Nacional Unimed, a maior operadora do sistema. De acordo com a direção da cooperativa, um modelo de negócios em conjunto, num prazo de cinco a sete anos, é uma das opções que serão levadas para assembleia com os cooperados, ainda sem data definida.

Unidade Manaus estreitou parceria com a Unimed Nacional para equilibrar as contas e as operações. (Foto: Eraldo Lopes)

A expectativa do presidente executivo Sérgio Ferreira é que em três meses todas as dívidas da Unimed Manaus estejam negociadas. “De janeiro a maio, a empresa está operando em equilíbrio, o problema são as dívidas do passado, temos uma dívida de impostos de tributos federais, estaduais e municipais, que está sendo alongada para que a empresa continue funcionando. Hoje, não gastamos mais do que a nossa receita, mas como o grau de endividamento da empresa é alto, precisamos de um volume maior para fazer frente a essa dívida do passado”, disse Ferreira.

O presidente afirma que a nova gestão, que assumiu em janeiro de 2018, está buscando métodos para o pagamento da dívida, além da parceria com a Central Nacional Unimed, a outra possibilidade levantada é a entrada de um negociador externo que traga um aporte para o sistema Unimed, com a garantia dos hospitais e imóveis da cooperativa como garantia. “Estamos estudando essas possibilidades, mas uma parceria dentro do próprio sistema Unimed, como a operadora do sistema Unimed que é a Central Nacional Unimed, ao longo de cinco a sete anos para que eles sejam nosso braço de apoio é uma delas”, afirmou, destacando que para isso é preciso a aprovação em assembleia dos cooperados da Unimed.

Ferreira descarta a possibilidade de venda da Unimed Manaus para outra operadora, como a Unimed Brasil, como uma das soluções para o pagamento do déficit. “Há um sentimento muito forte do cooperado em recuperar a empresa e de que essa é a melhor solução. A Unimed Manaus é do cooperado, é patrimônio nosso e se perdermos não só nosso patrimônio, como nosso mercado de trabalho”, disse

A estimativa do presidente é que num prazo de cinco a sete anos a empresa estará plenamente saneada. “Seguramente os dois, três primeiro anos, serão mais difíceis porque o período da dívida é maior, mas como não estamos adquirindo novos compromissos, vai chegar ao ponto de que a dívida vai caindo e que a empresa vai se tornando saudável”, prevê o presidente executivo.

O maior débito da Unimed Manaus corresponde a tributos, explica Ferreira, que já foram negociados, no ano passado, R$ 350 milhões que serão pagos em 196 vezes. A empresa paga R$ 4 milhões por mês em impostos municipal e federal atrasados.

Prioridade é remunerar os profissionais adequadamente

Segundo Ferreira, o desafio é trazer a empresa para o ponto de equilíbrio, remunerar o profissional de maneira adequada e reconquistar o cliente. “As parcerias darão liquidez, recursos financeiros para que a gente possa estar fazendo isso, seja dentro do sistema Unimed ou no mercado financeiro. Se conseguimos fechar essa parceria dentro do sistema será melhor”, ressalta.

Segundo Ferreira, a Central Nacional Unimed tem interesse, entre outras motivos, por causa do posicionamento da marca. “Há uma preocupação dentro do sistema em ajudar a fazer o saneamaneto das cooperativas que não estão bem”, disse.

O presidente executivo disse que uma nova consultoria vai analisar os negócios, analisar o que pode ser melhorado, precificar melhor os produtos, para obter margem de lucro e assim ser sócio nesses lucros.

Atualmente, a Unimed Manaus conta com 120 mil usuários, em janeiro, eram 137 mil. “Dentro desses 17 mil usuários nós tínhamos planos deficitários, ou seja, que gastávamos mais para atendê-los do que o que eles nos pagavam, então todos esses planos com esse comportamemto, serão renegociados nos aniversários para trazer a um ponto de equilíbro, não podemos mais trabalhar com déficit, mesmo que a carteira (de clientes) caia”, disse.

Há, aproximadamente, cinco anos, a Unimed Manaus já chegou 179 mil usuários, o que, segundo o presidente, contribuiu para o endividamento. São 870 médicos na empresa e a nova gestão pretende remunerar melhor os profissionais.

***Matéria atualizada às 9h45, para acréscimo de informações.

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