Urucu tem produção para mais 30 anos, afirma Petrobras

A Petrobras afirma que a região possui reserva para mais três décadas de comercialização. O baixo custo e o avanço da tecnologia viabilizam mais tempo de exploração

Manaus – No ano em que completa 30 anos de produção na Província Petrolífera de Urucu, em Coari, município a 363 quilômetros a oeste de Manaus, a Petrobras afirma que a região possui reserva para mais três décadas de comercialização. O custo de produção e o avanço da tecnologia são os principais fatores para que o tempo de exploração de óleo no local seja prolongado, mesmo com o declínio de mais de 50%, desde 2004.

A Petrobras investiu para tornar a operação mais automática e remota. (Foto: Divulgação/Petrobras)

De acordo com o gerente geral da Unidade Operacional do Amazonas, Gilberto Hosokawa, qualquer campo tem esse declínio natural, de acordo com a produção. “Estamos suavizando esse declínio, a nossa equipe trabalha o fator de recuperação para minimizar essa queda natural”, disse.

De acordo com a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a produção total no Amazonas chegou a 16 milhões de barris equivalentes de petróleo (bep), em 2004, enquanto que, em 2017, foram 7,74 milhões bep, uma queda de 51,8%. Com relação a 2016, o declínio foi de apenas 14%, enquanto, em 2018, no primeiro semestre, houve alta de 1,6%, com relação ao mesmo período de 2017.

A concessão da ANP para exploração na região vai até 2025, mas de acordo com o gerente-geral, a produção racional e otimizada deve permitir mais 30 anos de exploração na reserva. Segundo Hosokawa, atualmente, o custo da extração no local é um dos menores da Petrobras, o que faz de Urucu a “cereja do bolo” da companhia. “Além do custo da produção e da qualidade do óleo, a importância estratégica para a região é fundamental, como no caso do GLP que, além do Amazonas, abastece Roraima, Rondônia e parte dos Estados do Maranhão, Piauí e Ceará”, afirma o gerente-geral.

Nos últimos anos, a Petrobras investiu em tecnologia para tornar a operação em Urucu o mais automática e remota possível. Na sala de controle do complexo, cinco equipes de dez funcionários revezam as atividades de monitoramento, dos 65 poços em operação e todas as 40 câmeras instaladas, que funcionam 24 horas.

“Há 30 anos, eram eu e mais dois funcionários na sala de controle, mas com o aumento da produção vimos tudo evoluir. Hoje, temos uma tecnologia mais moderna em termos de planta de produção controlando poços distantes 50 quilômetros”, contou o supervisor de manutenção da Base de Operações Geólogo Pedro de Moura, Edilberto Roza, que trabalha há 36 anos na Petrobras e há 30 anos em Urucu.

A otimização da produção também permite que o fator de recuperação do óleo seja maior que em outos locais. “Nunca conseguimos tirar todo o óleo de um poço, normalmente 20% a 30% permanece, mas com a leveza do óleo de Urucu, esse fator é maior na região”, afirma a gerente de exploração e produção de Urucu, Roberta Viana. A reserva não possui novos projetos de exploração e as atividades serão concentradas nos poços já perfurados.

Em maio de 2017, a Petrobras começou a utilizar drones na unidade, o que gera uma economia de R$ 800 mil por ano em atividades como acompanhamento de recuperação ambiental, vistoria em torres de telecomunicações, monitoramento de integridade de dutos, inspeção de obras para monitoramento de frentes de trabalho, mapeamento aerofotogramétrico, entre outras.

Meio Ambiente

Segurança e meio ambiente estão entre as principais evoluções da Petrobras na base. A empresa desenvolveu desde o início, em 1988, um sistema de gestão focado em segurança, qualidade e preservação do meio ambiente para minimizar os impactos das atividades.

A Província de Urucu possui um viveiro com mais de 50 espécies nativas da região, responsável pelo abastecimento dos projetos de revegetação da unidade. Atualmente, o viveiro conta com aproximadamente 55 mil mudas.

Há uma central de tratamento de resíduos com atividades de armazenamento, compostagem de resíduos orgânicos e tratamento de esgoto doméstico.

Os restos de alimentos são transformados em adubo orgânico, usado nas atividades de reflorestamento e jardinagem. São 140 toneladas de adubo produzidas em um mês, aproximadamente. Já o material reciclável, como papel, metais e plásticos, é prensado, embalado e enviado em balsas para Manaus, assim como a sucata ferrosa.

Início

A Petrobras iniciou em 1988 a produção comercial das reservas de petróleo e gás natural na Províncias Petrolífera de Urucu, descoberta dois anos antes. Atualmente, 1.070 pessoas trabalham na região embarcadas simultaneamente. O acesso ao local é feito somente via aérea, enquanto as cargas são recebidas e despachadas por meio de um pequeno terminal fluvial. A produção na base, no primeiro semestre de 2018, corresponde a 5% da produção total de barris de óleo equivalente .

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