Vaca louca: carne brasileira deixa de ser vendida para a China nesta quinta-feira

Suspensão do comércio segue protocolo sanitário firmado entre os países

São Paulo – A partir desta quinta-feira (23), estão suspensas as exportações da carne bovina brasileira para a China. A decisão foi anunciada pelo Ministério da Agricultura na noite desta quarta-feira (22), e se deve à confirmação de um caso da doença conhecida como mal da vaca louca no Pará. Ela segue o protocolo sanitário estabelecido entre os dois países.

(Foto: Reprodução Pixabay)

Com o nome oficial encefalopatia espongiforme bovina (EEB ), essa enfermidade afeta o cérebro de bovinos adultos, e, em alguns casos, pode ser transmitida para os seres humanos, se houver ingestão de carne contaminada. Por ora, o ministério descarta a existência de qualquer risco para o consumidor.

“O diálogo com as autoridades está sendo intensificado para demonstrar todas as informações e o pronto restabelecimento do comércio da carne brasileira”, informou o ministério, por meio de nota oficial.

Segundo a pasta, a doença atingiu um animal macho de nove anos, idade considerada avançada para bovinos, numa pequena propriedade em Marabá, no Pará. O boi, que era criado em pasto, sem ração, foi encontrado morte e teve a carcaça incinerada na fazenda. O local foi interditado pelo governo do estado, em caráter preventivo.

O Ministério da Agricultura afirma que o caso foi comunicado à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). Além disso, amostras do animal foram enviadas para o laboratório referência da instituição em Alberta, no Canadá, que poderá confirmar se o caso é típico ou atípico, que é o que diferencia os que têm risco de transmissão para outros bovinos e para humanos.

“Todas as providências estão sendo adotadas imediatamente em cada etapa da investigação, e o assunto está sendo tratado com total transparência para garantir aos consumidores brasileiros e mundiais a qualidade reconhecida da nossa carne”, ressaltou o ministro Carlos Fávaro, no comunicado.

País nunca teve casos transmissíveis

Em um ano e meio, é a segunda vez que a exportação de carne bovina brasileira para a China é suspensa. O país asiático, maior comprador de carne do Brasil, interrompeu as compras de setembro a dezembro de 2021, após o aparecimento de dois casos atípicos, em Minas Gerais e em Mato Grosso.

Até hoje, o Brasil não registrou casos clássicos de vaca louca, provocados pela ingestão de carnes e pedaços de ossos contaminados. Causado por um príon, molécula de proteína sem código genético, o mal da vaca louca é uma doença degenerativa. As proteínas modificadas consomem o cérebro do animal, tornando-o comparável a uma esponja.

Além de bois e vacas, a doença acomete búfalos, ovelhas e cabras. A ingestão de carne e subprodutos dos animais contaminados com príons pode provocar nos seres humanos a encefalopatia espongiforme transmissível, a forma típica.

No fim dos anos 1990, houve um surto de casos do mal da vaca louca em humanos na Grã-Bretanha, que provocou a suspensão do consumo de carne bovina no país por vários meses. Na ocasião, a doença foi transmitida por meio de bois que foram alimentados com ração animal contaminada.

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