Varejo do AM cresce mais que o nacional, aponta IBGE

No Estado, o setor registrou crescimento de 5,4%, em junho, sobre igual período do ano passado, enquanto o varejo, em todo o País, teve alta de 1,5%, na mesma base de comparação

Manaus – O volume de vendas do comércio varejista do Amazonas registrou, em junho, uma queda de 1,8% na comparação com o mês anterior, segundo o apurado do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A retração veio após aumento ocorrido, em maio (5,9%). Foi o segundo resultado negativo no ano. Na comparação com o mesmo mês de 2017, o crescimento alcançou 5,4%, prosseguindo alta no mês anterior (9,4%). A queda no indicador mês a mês anterior pode ter sido influenciada por fatores externos, principalmente, a greve dos caminhoneiros, no final de maio, e dos rodoviários locais, no inicio de junho.

Apesar da queda de junho, o acumulado do comércio supera 2017. (Foto: Sandro Pereira)

O acumulado em 2018 do volume de vendas, reduziu de de 8,7%, em maio, para 8,2%, em junho. Já o acumulado dos últimos 12 meses, também teve um desempenho descendente de 9,4% em maio para 9,2% em junho. Mesmo com a queda em junho, o desempenho acumulado do comércio, além de positivo, está sendo superior ao ocorrido no mesmo período de 2017.

A receita nominal (o arrecadado com o desconto da inflação) que não sofre pressão da deflação no seu cálculo, teve um desempenho razoável, em junho. A variação de junho sobre maio foi negativa em 1%.

Em junho, o acumulado da receita, no ano, chegou a 7,8% de crescimento e o crescimento nos 12 meses foi de 7,5%, segundo, o IBGE.

O volume de vendas do comércio ampliado que compõe o varejo normal e acrescenta os segmentos de ‘Veículos e motocicletas, partes e peças’ e de ‘Material de construção’; na comparação mês a mês, caiu -2,2%, em junho; depois de ter subido 0,7%, em maio. Esse desempenho negativo do ampliado seguiu comércio normal (com queda de 1,8%), indicando que as vendas de veículos, motocicletas, peças e material de construção, também não tiveram um bom desempenho no mês, e com isso, influenciaram o indicador para baixo.

A variação mensal que compara o volume de vendas de junho com o mesmo mês do ano anterior, teve crescimento de 6,8%, em junho. Com esse desempenho, o acumulado no ano chegou a 12,6%. E o acumulado dos últimos 12 meses chegou a 14,9%; mostrando o bom desempenho de vendas do comércio ampliado quando comparado com o ano passado.

A receita nominal do comércio ampliado teve queda de -1,6% em junho comparando com o mês anterior. Na comparação com igual mês do ano passado, junho teve um crescimento de 7,8%. Os acumulados no ano (2018) e nos ultimos doze meses alcançaram 11,7% e 13,3% respectivamente.

Nacional

As vendas do comércio varejista no País subiram 0,3%, em junho, ante maio, na série com ajuste sazonal. O resultado veio acima da mediana das previsões do mercado financeiro, que indicava uma alta de 0,05%. O resultado veio dentro do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que esperavam desde uma queda de 0,80% a avanço de 2,50%.

Na comparação com junho de 2017, sem ajuste sazonal, as vendas do varejo tiveram alta de 1,5%, em junho de 2018. Nesse confronto, o resultado veio abaixo da mediana e logo acima do piso das estimativas. As projeções iam de uma alta de 1,00% a 6,50%, com mediana positiva de 2,30%.

Apesar da alta no País, CNC vê desaceleração no 2º semestre

As paralisações ocorridas no terceiro bimestre e outros fatores podem inibir o consumo no segundo semestre deste ano, segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC). A entidade avalia que pode haver retração no setor com o ritmo fraco do mercado de trabalho, a desvalorização do real, as pressões de custos impostas pelo ritmo mais acelerado de preços administrados e, principalmente, a elevada incerteza decorrente da indefinição do cenário político.

Por conta desse panorama, a CNC revisou a sua previsão de crescimento do varejo, em 2018, de 4,8% para 4,5%. “Dificilmente, o setor conseguirá repetir as taxas de crescimento do primeiro trimestre de 2018”, completou Fabio Bentes.

Segundo a análise da CNC, o crescimento mensal foi impulsionado pelo avanço nas vendas do comércio automotivo (alta de 16,0%) e de materiais de construção (crescimento de 11,6%). Por outro lado, a venda de alimentos, pressionada pela maior variação mensal de preços destes produtos nos últimos dois anos e meio (alta de 2% em junho), registrou queda real de 3,5% no mês – pior resultado desde março de 2017 (-5,6%). “O desempenho do setor no segundo trimestre, portanto, reforça a percepção de desaceleração da economia, já que, em oito dos dez segmentos avaliados, os resultados das vendas foram piores do que os do primeiro trimestre deste ano”, afirmou Bentes.

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