Volume de serviços cai 0,4% em fevereiro

Segundo especialista do IBGE, a queda da atividade econômica, o desemprego e a renda do trabalhador têm relação direta com o fraco desempenho dos serviços, no início do ano

Brasília – O volume de serviços prestados encolheu 0,4% em fevereiro contra janeiro deste ano, na série com ajuste sazonal, segundo dados da Pesquisa Mensal de Serviços, informou, nesta sexta-feira (12), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No mês anterior, o resultado foi revisto de uma queda de 0,3% para recuo de 0,4%, segundo o órgão.

O resultado veio pior que a mediana (-0,1%) estimada pelos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que esperavam desde uma queda de 0,6% a avanço de 0,7%. “O transporte foi o principal fator que puxou para baixo o índice”, disse o gerente de Pesquisa Mensal de Serviço, Rodrigo Lobo.

O setor de transportes puxou o recuo no volume de serviços (Foto: Thomaz Silva/ABr)

Já na comparação anual, contra fevereiro de 2018, o volume de serviços subiu 3,8%, o resultado mais elevado desde fevereiro de 2014, quando o índice atingiu 7%. O dado veio também abaixo da mediana das projeções (4,2%), mas dentro do intervalo das estimativas, de 1,4% a 5,1%.

Já no ano, o setor acumula alta de 2,9%, ante a estabilidade registrada no final do ano passado, quando interrompeu três anos seguidos de taxas negativas e acumulou perdas de 11%.

A receita nominal bruta da atividade também caiu 0,4% em fevereiro ante janeiro, mas subiu 6,5% na comparação anual. No acumulado do ano, a receita nominal bruta subiu 6%.

O IBGE revisou o resultado dos serviços em janeiro, que passaram de uma queda de 0,3% para queda de 0,4%. Também foram revistos os dados divulgados para dezembro, de uma alta de 1,0% para alta de 0,8%.

A queda de 0,4% registrada pela Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) em fevereiro deste ano, comparado ao mês anterior, somada à queda de igual porcentual de janeiro, eliminou os ganhos registrados em dezembro de 2018, de 0,8%, destacou o gerente da PMS do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Rodrigo Lobo, nesta sexta-feira (12).

Segundo ele, a queda da atividade econômica, o desemprego e a renda do trabalhador têm relação direta com o desempenho dos serviços.

“A recuperação tem que vir por parte das famílias com aumento de renda e redução de desemprego, e da parte das empresas o aumento do investimento privado em substituição ao investimento público que está em decréscimo de 2015 para cá”, explicou Lobo.

A retirada dos investimentos públicos ocorreu mais rápido do que o previsto, destacou Lobo, sem por outro lado o setor privado ter tomado a liderança.