Enem tem pouco movimento e muita reclamação no 1º dia de provas no AM

No município de Boca do Acre (a 950 quilometros da capital), a prova teve que ser adiada por conta da enchente que atingiu a cidade e alagou as escolas

Manaus – Os estudantes amazonenses realizaram a primeira parte da prova do Exame Nacional do Ensino Médio. Em todo o Estado, 163.444 pessoas estavam aptas a realizar a prova. No município de Boca do Acre (a 1.028 quilômetros a sudoeste de Manaus), a prova teve que ser adiada por conta da enchente que atingiu a cidade e alagou as escolas. Na capital Manaus, a movimentação foi tranquila e alguns estudantes reclamaram por não terem encontrado a sala que deveriam fazer a prova.

Estudantes reclamaram da falta de organização no local da prova (Foto: Marcos Lima / GDC)

A prova deveria ser realizada nos dias 17 e 24 de janeiro deste ano, porém, o estado do Amazonas estava passando por um caos na saúde do estado com a falta de oxigênio. No período foi registrado o maior números de mortes, internações e casos de pessoas infectadas desde o início da pandemia. A justiça do Estado, cancelou a prova e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), transferiu a prova para os dias 23 e 24 de fevereiro. Os candidatos aprovaram o adiamento por terem um tempo maior para se prepararem e realizarem a prova com mais segurança.

“Foi bom adiarem mesmo, deu mais tempo para estudar. A gente começou a estudar ano passado. Minha família toda está fazendo e tem outros sonhos. Meu sonho é fazer enfermagem e eu estou preparada para dar o meu melhor e espero conseguir uma nota boa”, disse Amanda de Deus, de 24 anos que busca uma vaga no curso de enfermagem.

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Inscritos aguardam a abertura dos portões (Foto: Marcos Lima / GDC)

Por conta da pandemia do coronavírus, o Enem não foi realizado em 2020. Além do Amazonas, em que todo o estado realiza as provas nos dias 23 e 24 de fevereiro, o exame também é realizado nos municípios de Rolim de Moura e Espigão do Oeste, no interior do estado de Rondônia. Quem também realiza as provas nesses dias são as 8.180 pessoas que tiveram sintomas da covid-19 em janeiro e não puderam fazer a prova. Quem foi ao local para fazer a prova estava confiante.

Eu estou com boas expectativas. Quero ir bem nas matérias que eu vou melhor e também nas que eu tenho mais dificuldade, que são as exatas. Acredito que foi mais seguro a decisão de adiar. Quem estava se preparando, deu mais tempo para estudar. Eu procurei bons guias de estudo, para saber o que mais cai e saber quais são as matérias e os assuntos. Eu fui seguindo os assuntos do ensino médio e indo até o fim do terceiro ano”, Clarissa castro, de 17 anos, que pretende fazer o curso de direito.

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A taxa de abstenção em todo o país, nas provas realizadas em janeiro, foi de 51,5%. Número que superou o ano de 2009, que era o maior número registrado quando 37,7% das pessoas não compareceram ao exame. Quem já fez a prova em outras oportunidades disse que o número de candidatos é bem menor do que nos anos anteriores, porém a organização deixou a desejar.

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(Foto: Marcos Lima / GDC)

“Falando da multidão, não tem ninguém em comparação aos outros anos que eu fiz. tem pouquíssima gente. Não tem nenhum pouco de aglomeração porque você pode ver que está todo mundo bem espalhado e bem distribuído nas salas. O problema é que não tem ninguém para passar informação e isso está deixando bastante a desejar. Muita gente perguntando onde ficam as salas. Hoje está muito mais desorganizado e isso me decepcionou bastante”, disse Celso Lucas de 21 anos que já faz agronomia na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), e fez o teste para testar seus conhecimentos.

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(Foto: Marcos Lima / GDC)

Neste ano, não foi possível ver muitas pessoas chegando atrasadas e batendo no portão tentando entrar para fazer a prova. O que se viu foram reclamações de pessoas que não encontraram a sala que deveria fazer a prova. Após percorrerem toda a escola, não encontram o local e não conseguiram fazer o exame.

“O meu número de sala não estava no comprovante do Inep. Só o prédio e a localização. Eu fui em todas as coordenações e em todos os andares e não estava lá meu nome em nenhuma unidade. Me indicaram a ir para outros prédios e não encontrei meu nome lá. Vou tentar resolver essa situação que é indignante. Foi um esforço jogado fora. Espero que eles possam resolver isso, porque não foi só eu, foram vários que tiveram esse problema”, disse o estudante João Victor.

Os estudantes voltam nesta quarta-feira para realizarem a segunda parte da prova nas escolas de todo o estado. O horário da abertura dos portões continua às 11h e o fechamento às 12h. O resultado do exame deve ser divulgado no dia 29 de março.

No município de Boca do Acre, interior do Amazonas. Os rios Purus e Acre transbordaram e a cidade e alagou completamente, atingindo as escolas em que seriam realizadas as provas. O prefeito José Cruz, publicou um decreto, na segunda-feira (22), suspendendo o exame. O presidente substituto do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Camilo Mussi, disse que os estudantes devem fazer a prova em novembro deste ano para concorrem a vagas para o ano letivo de 2022.

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