Entenda como funciona o cálculo da nota do ENEM

A nota do aluno é calculada por um conjunto de modelos estatísticos chamado TRI – Teoria de Resposta ao Item

São Paulo – No Enem, a nota do aluno é calculada por um conjunto de modelos estatísticos chamado TRI – Teoria de Resposta ao Item. Por que o Exame usa essa metodologia? Porque ela garante a comparabilidade dos resultados de alunos que responderam a testes diferentes ao longo dos anos, assim, o Ministério e Secretarias da Educação e as instituições de ensino têm um diagnóstico se a aprendizagem daqueles que estão terminando o Ensino Médio está crescendo, melhorando ou não.

(Foto: Divulgação)

Como a TRI funciona?

Todo o ano, o Inep/MEC convoca profissionais elaboradores de questões para desenvolverem novas atividades para o Enem, sempre seguindo as orientações da Matriz de Referência do Enem, que é aquele documento com as competências e habilidades que são cobradas no exame. NÃO SÃO esses profissionais que definem o nível de dificuldade da questão. Para isso, o Inep/MEC organiza eventos chamados pré-testes, em que ele convida algumas redes de ensino para que os alunos respondam pela primeira vez a essas novas questões.

Analisando essas primeiras respostas, a TRI já faz alguns tipos de análise: primeiro, se a questão está adequada – imagine que por um equívoco o gabarito de uma questão foi configurado errado, ou havia duas respostas corretas, ou nenhuma resposta correta, problemas de estrutura etc., o pré-teste já consegue fazer um bom filtro sobre esses casos e essas questões voltam para ajuste do elaborador/revisor; segundo, considerando apenas as questões que passaram por esse filtro inicial, a TRI é utilizada para determinar 3 diferentes características das questões:

– parâmetro A: índice de discriminação – o quanto uma questão é capaz de separar bem os alunos que têm a habilidade/conhecimento para responde-la dos alunos que NÃO têm essa habilidade/conhecimento. Esse índice, grosso modo, meio que atesta a qualidade do item. Quanto maior o número, é um sinal de que a questão está bem feita e avalia o que se pretende.

– parâmetro C: probabilidade do acerto ao acaso, isto é, a chance de um aluno, que NÃO tem a habilidade/conhecimento para responder a questão, selecionar a alternativa correta (como estamos falando de uma questão de múltipla escolha, essa chance sempre existe). Boas questões são aquelas que têm baixo valor para esse índice.

– parâmetro B: esse sim, representa a dificuldade da questão, porque ele mostra qual o nível “mínimo” de competência que um aluno precisa ter para responder corretamente uma determinada questão. Grosso modo, para ficar fácil de entender, questões com altos índices de acerto são considerados fáceis e questões com baixos índices de acerto, difíceis.

Com a TRI, que analisa o comportamento das respostas de todos os alunos que participaram do evento do pré-teste, o modelo é capaz de atribuir um valor numérico a esse nível de dificuldade e assim dizer, por exemplo, que uma questão X tem nível de dificuldade 467, que é mais fácil que a questão Y que tem nível de dificuldade 599, e em seguida tem a questão Z com nível de dificuldade 844.

A identificação de todos esses valores é o que forma a conhecida ESCALA DO ENEM. Que nada mais é do que uma reta numérica em que os números, que são as dificuldades das questões, indicam posições. Assim, imagine que um aluno tirou a nota 650 em matemática do Enem. Isso significa que a questão de matemática com nível de dificuldade mais alto que ele conseguiu responder (tirando aquelas que o modelo identificou que ele chutou), foi 650. Se por um acaso ele errou uma questão com nível de dificuldade 100 por uma distração, o modelo o beneficia e entende que não é ali que é a nota dele, porque ele acertou várias outras questões com nível de dificuldade maior.

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