Federais planejam aulas online após 4 meses

A retomada a distância esbarra em dificuldades de acesso dos estudantes às plataformas e até na falta de experiência dos professores para conduzir aulas remotas

Brasília – Após quatro meses sem aulas por causa do isolamento social, universidades federais começam a retomar ou a planejar o retorno das atividades, de forma online. Segundo o Ministério da Educação (MEC), das 69 instituições, 53 estão com atividades suspensas – 846 mil alunos sem aulas. A retomada a distância esbarra em dificuldades de acesso dos estudantes às plataformas e até na falta de experiência dos professores para conduzir aulas remotas.

Segundo o MEC, 846 mil alunos de universidades federais estão sem aulas (Foto: Eraldo Lopes/RDC/Arquivo)

No início deste mês, o MEC anunciou a oferta de internet gratuita para universitários com renda familiar per capita de até um salário mínimo e meio. “A tendência é que as universidades retornem (online), até pela dificuldade de falar, no momento, de volta presencial. Estão todos se organizando para atividades remotas”, disse Edward Madureira Brasil, reitor da Federal de Goiás (UFG) e vice-presidente da Andifes, entidade que reúne os dirigentes das universidades federais.

Logo após o decreto de quarentena, em março, a universidade federal suspendeu aulas convencionais e abriu só disciplinas de curta duração. Agora, prevê retorno às classes – online – de todos os cursos em agosto. Parte já voltou este mês.

Para isso, foi feita pesquisa com alunos sobre impactos da pandemia. “Muitos relataram perda de renda familiar ou individual. Também se perguntou sobre equipamento de informática, acesso. Muitos faziam uso da infraestrutura da universidade e eram esses que precisávamos ajudar”, disse a pró-reitora de graduação, Isabel Marian Hartmann de Quadros.

A Unifesp tem treinado docentes para aulas virtuais – a ideia é usar vídeos ao vivo e gravados. Além disso, abriu editais para emprestar notebooks e ajuda para custeio de pacotes de dados de internet, iniciativas independentes de verba prometida pelo MEC.

Internet gratuita

Em nota, o MEC informou que a previsão para oferecer o pacote de dados “está condicionada a conclusão do processo e contratação emergencial” pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa. O valor de contratação não será divulgado, disse a pasta, para evitar interferência no processo. A expectativa é de atender 900 mil alunos de baixa renda.

Indagado sobre apoio técnico às universidades para produzir aulas online e treinar professores, o MEC afirmou que “cabe às universidades a elaboração do seu plano de trabalho, bem como a produção de suas aulas e a capacitação de profissionais”.

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