IBGE: oito em cada dez alunos da rede pública têm acesso à internet

Dados da pesquisa mostram, porém, que menos da metade tem PC e que quase totalidade de quem estuda nas privadas é conectado

Brasília – Mais da metade dos estudantes da rede pública do país não tinham computador em 2019, mas oito em cada dez estão conectados à internet nas próprias casas. Isso é o que mostra a PenSe 2019 (Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar), divulgada nesta sexta-feira (10) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

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IBGE: oito em cada dez alunos da rede pública têm acesso à internet. (Foto: Divulgação/Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações )

Naquele ano, a internet estava presente na casa de 86,9% dos entrevistados – sendo 98,6% entre os alunos da rede privada e 84,9% para aqueles que frequentam colégios públicos.

No caso de equipamentos, o computador ou o notebook estava presente nos lares de 55,5% dos estudantes, sendo 89,6% entre os da rede privada e 49,7% entre os da pública.

Cerca de 84,1% dos estudantes em geral tinham aparelho celular, proporção que era de 95,7% entre os escolares das privadas e de 82,2% das públicas.

A pesquisa reúne informações sobre o comportamento e os hábitos de adolescentes de 13 a 17 anos, do 7º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio das redes pública e privada de ensino.

“A PenSe dá um norte para que sejam pensadas e adotadas políticas públicas usando como parâmetro a saúde dos adolescentes”, avaliou Marco Andreazzi, responsável pela PenSe.

O universo retratado pela PeNSE 2019 abrange 11,8 milhões de estudantes de 13 a 17 anos, dos quais 7,7 milhões tinham de 13 a 15 anos e 4,2 milhões, de 16 ou 17 anos. Os meninos são 5,8 milhões (49,3%) e as meninas, 6 milhões (50,7%). Nas escolas públicas, estudavam 10,1 milhões (85,5%) e nas escolas privadas, 1,7 milhão (14,5%).

“Realizada pouco antes da pandemia de covid-19, a PenSe avalia fatores de risco que já existiam e foram agravados durante esse período de isolamento como saber que algumas escolas não têm estrutura para que os alunos lavem as mãos por exemplo”, diz Andreazzi. “Sabemos do impacto da pandemia e acreditamos que alguns pontos devem ser agravados e precisam de atenção especial.”

A questão da saúde mental merece atenção. Em 2019, a pesquisa buscou captar como os adolescentes se sentiam nos 30 dias anteriores ao estudo: 21,4% afirmaram sentir que a vida não valia a pena ser vivida, sendo 29,6% das meninas e 13% dos meninos.

Alimentação x Auto imagem

“Na pesquisa observamos que as meninas se cobram mais sobre o corpo e aparência física, no entanto, fazem menos atividades físicas que os meninos e ingerem mais alimentos calóricos”, destaca Andreazzi.

Cerca de 49,8% dos estudantes de 13 a 17 anos achavam seu corpo normal, 28,9% deles se achavam magros ou muito magros e 20,6%, gordos ou muito gordos. Com relação às meninas,  31,4% não estavam satisfeitas com o próprio corpo —  29,5% de alunos de escolas privadas e 24,8% de 16 e 17 anos referiram insatisfação ou muita insatisfação em relação ao próprio corpo.

Violência e Bullying

Segundo a PenSe, cerca 14,6% dos escolares de 13 a 17 anos, alguma vez na vida e contra a sua vontade, foram tocados, manipulados, beijados ou passaram por situações de exposição de partes do corpo. No caso das meninas, o percentual (20,1%) é mais que o dobro do observado para os meninos (9,0%). Além disso, 6,3% dos escolares informaram que foram obrigados a manter relação sexual contra a vontade alguma vez na vida, sendo 3,6% dos meninos e 8,8% das meninas.

Em 2019, 11,6% dos estudantes de 13 a 17 anos (ou 1,3 milhão de escolares) deixaram de ir à escola por não se sentirem seguros no trajeto da casa para a escola ou da escola para a casa. Na rede pública, o percentual foi de 12,5%, o dobro do observado na rede privada (6,1%).

Quanto ao bullying, 23% dos escolares afirmaram que se sentiram humilhados pelos colegas nos últimos 30 dias. O percentual das meninas (26,5%) superou o dos meninos (19,5%).

A PeNSE 2019 perguntou aos escolares se eles se sentiram ameaçados, ofendidos ou humilhados nas redes sociais ou em aplicativos: 13,2% responderam que sim.

Vale destacar que as meninas mais novas, entre 13 e 15 anos, sofreram mais com o bullying justamente por conta da aparência do corpo, cor ou raça.

Álcool e Drogas

Em 2019, 63,3% dos escolares já haviam ingerido uma dose de bebida alcoólica e 34,6% deles haviam tomado a primeira dose com menos de 14 anos. Cerca de 47% dos escolares declararam ter passado por algum episódio de embriaguez.

O uso de droga ilícita em algum momento da vida foi declarado por 13% dos estudantes e 4,3% o fizeram pela primeira vez com menos de 14 anos, com maior proporção entre os escolares da rede pública (4,6%) do que entre os da rede privada (2,7%). Quanto ao cigarro, 22,6% dos estudantes responderam ter fumado alguma vez na vida e 11,1% fumaram pela primeira vez antes dos 14 anos. Esse percentual, na rede pública (11,9%), é quase o dobro do encontrado na rede privada (6%).

“Nessa categoria observamos um aumento do consumo de narguile e cigarros eletrônicos, que são proibidos no país e geram a falsa sensação de que não fazem mal”, explica o representante do IBGE.

Sexualidade

De acordo com a pesquisa, 35,4% dos entrevistados já haviam tido sua iniciação sexual, sendo que 63,3% deles usaram preservativo em sua primeira vez e 40,9% não o utilizaram na última relação sexual. Entre as meninas que já haviam tido relação sexual, 7,9% engravidaram alguma vez na vida. Entre estudantes da rede pública, esse percentual foi de 8,4%, enquanto entre alunos da rede particular, foi de 2,8%.

Por fim, o estudo constatou que 79,7% dos adolescentes que já tiveram relação sexual utilizam algum método contraceptivo diferente da camisinha: 52,6% usaram pílula anticoncepcional na última relação sexual, 17,3% a pílula do dia seguinte e 9,8%, contraceptivos injetáveis.

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