Beatriz Ferreira é medalha de ouro no Mundial de Boxe na Rússia

A boxeadora brasileira derrotou a chinesa Cong Wang, neste domingo (13), por decisão unânime dos jurados

São Paulo – Beatriz Ferreira se tornou a segunda boxeadora brasileira a conquistar um título mundial, ao derrotar a chinesa Cong Wang, neste domingo (13), em Ulan-Ude, na Rússia, por decisão unânime dos jurados: três anotaram 29 a 28 e um, 30 a 27. Roseli Feitosa, em 2010, em Barbados, foi a primeira.

(Foto: Reprodução)

Além de Bia e Roseli, o boxe feminino do Brasil soma mais dois pódios em Mundiais. Em 2002, na segunda edição da competição, Ana Paula Lúcio dos Santos foi bronze, em Antalya, na Turquia. Já Clélia Costa também ficou com o bronze, na Coreia do Sul, em 2014.

No masculino, a lista começa com Everton Lopes, campeão mundial em Baku, no Azerbaijão, em 2011. Na mesma competição, Esquiva Falcão foi bronze. Dois anos depois, Everton foi bronze e Robson Conceição, prata. Em 2015, Robson subiu mais uma vez ao pódio para receber bronze.

Apesar da medalha de ouro e do título de melhor lutadora do Mundial, Bia não tem garantida sua participação nos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020. A Associação Internacional de Boxe (Aiba) não é reconhecida pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) após investigações, crise financeira e afastamento do presidente.

Com isso, Bia vai ter de buscar a vaga olímpica no Pré-Olímpico da Américas de Buenos Aires, em março, ou no Pré-Olímpico Mundial, em maio. A campeã mundial, ao lado de Graciele Jesus e Jucielen Cerqueira, que também estiveram na competição russa, segue direto para a China, onde vai disputar o Mundial Militar.

Menor que a adversária, Bia encontrou logo a distância correta para soltar seus golpes neste domingo. Muito rápida, conseguiu colocar ganchos e cruzados em precisos contra-ataques, que foram frustrando a lutadora chinesa. Como Wang é muito forte no contra-ataque, Bia teve paciência para esperar a chinesa tomar a iniciativa para só depois buscar o ataque. A tática deu certo e, por várias vezes, o ataque da brasileira pegou em cheio o alvo.

Outro ponto favorável à brasileira foram os golpes aplicados na linha de cintura, que surpreenderam e castigaram a lutadora asiática. Com ótimo preparo físico, a lutadora nacional conseguiu manter o ritmo nos três assaltos e obteve a vitória sem sustos. Como de costume, Bia festejou com uma dancinha em cima do ringue antes de abraçar os técnicos Mateus Alves e Léo Macedo.

A trajetória de Bia no Mundial foi impecável. Ela somou quatro vitórias antes de chegar à decisão: derrotou Keamogetse Kenosi, de Botsuana, por nocaute técnico no segundo assalto; eliminou a venezuelana Omailyn Alcalápor, por decisão unânime nas oitavas de final; bateu a russa Natalia Shadrina em decisão dividida e superou a norte-americana Rashida Ellis por 4 votos a 1.

Carreira

Aos 26 anos, Bia soma 24 pódios em 25 competições. Ela só ficou fora dos três primeiros lugares no Mundial passado. Em agosto, a boxeadora ganhou o ouro no Pan-Americano de Lima, no Peru. Em 2018, foi campeã sul-americana em Cochabamba, na Bolívia.

Bia começou no boxe aos quatro anos de idade na garagem de casa, onde seu pai, Raimundo, mais conhecido no boxe como Sergipe (tricampeão baiano, bicampeão brasileiro e sparring de Popó) dava aulas para crianças carentes da região.

Por falta de competições de boxe feminino, Bia precisou esperar até 2014 para iniciar a carreira. Venceu uma luta, mas acabou desclassificada pois já havia participado de uma competição de muay thai e recebeu uma punição de dois anos, porque a Aiba proibia que as atletas participassem de competições por outras modalidades.

Bia voltou em 2016 e passou também a ser sparring de Adriana Araújo, medalha de bronze na Olimpíada de Londres-2012. Talentosa, ficou com a vaga da amiga, que passou para o boxe profissional.