CBF e Coletivo Canarinhos em campo no Dia Internacional Contra a LGBTFobia

Data simboliza a luta, o orgulho e a conquista de direitos da comunidade LGBTQIA+

Brasília – No dia 17 de maio é celebrado o Dia Internacional Contra a LGBTFobia. Nesta data, em 1990, a OMS excluiu a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID). Desde então, a data é utilizada no mundo inteiro para combater o preconceito e a discriminação contra a comunidade LGBTQIA+, conscientizando as pessoas sobre o respeito à orientação sexual e à identidade de gênero.

(Foto: Divulgação/ Junior Souza/CBF)

Mas a realidade ainda é cruel. De acordo com o relatório “Mortes Violentas de LGBTI+ no Brasil – 2021”, divulgado pela ONG Grupo Gay da Bahia (GGB), o Brasil lidera o ranking de mortes violentas de pessoas LGBTQIA+, tendo registrado 300 mortes em 2021. No Brasil, por decisão do STF, a LGBTfobia é considerada crime equiparado ao racismo, sendo inafiançável e imprescritível.

Fundador da LGBTricolor e do Coletivo de Torcidas Canarinhos LGBTQ+, Onã Rudá destaca que é necessário sempre lembrar da importância da data, que levou os integrantes da comunidade a uma relevante conquista: a partir do consenso estabelecido pela OMS, eles passaram a ser vistos como cidadãos, em vez de portadores de uma doença.

Segundo Onã, é também nessa data que a comunidade se reúne para chamar a atenção para o combate à violência.

“Quando pensamos no futebol, parece que esse tipo de violência é cristalizado, intransponível. Parece que quando falamos de LGBT e futebol estamos falando de coisas contraditórias na sua essência e não é isso. Isso é fruto de uma construção que teve a ação de diversos atores, com movimentos dentro do próprio futebol e externos também, não só no Brasil, no mundo também. E o Brasil influencia muito, sem dúvida, pela visibilidade que o futebol brasileiro tem no mundo”, ressalta Onã.

Ele destaca ainda que muitos passos importantes já foram dados no combate à LGBTFobia, a partir de iniciativas da CBF.

“A gente manda para a CBF as informações e a entidade notifica os clubes, muda o Regulamento Geral de Competições (RGC). Essa posição faz com que, dentro dos tribunais de Justiça Desportiva e do STJD, se um caso é relatado em súmula, muito dificilmente ele não será punido. Mas ainda há pontos a melhorar, já que nem todo caso é registrado em súmula, nem todo caso vai a julgamento. São situações que exigem um aprofundamento do debate. Mas o mais importante é que, quando fazemos um movimento efetivo dentro do futebol, influenciamos também a sociedade. Um exemplo são clubes que cada vez mais trabalham de forma aprofundada a questão, influenciando a mudança cultural e no comportamento das pessoas”, complementa Onã.

“Temos enviado frequentemente à CBF sugestões que podem ser adotadas para evitar episódios de discriminação durante os jogos. Temos clareza, depois dos estudos que fizemos em clubes e instituições que adotaram medidas de combate à LGBTFobia, que houve uma redução importante e significativa de incidentes. O objetivo é sempre avançar no combate à LGBTFobia”, completou ele.

O Coletivo Canarinhos LGBT monitora posicionamento dos clubes, além de episódios que acontecem dentro do futebol, com o propósito de contribuir para a construção de soluções efetivas. Desde 2022, com o apoio da CBF, a entidade publica o “Anuário da LGBTfobia no Futebol”.

E a partir de 2023, reforçando o compromisso social de lutar contra qualquer forma de preconceito e de promover a diversidade no futebol, a CBF passou a financiar integralmente a publicação, possibilitando a elaboração, impressão e distribuição do Anuário para todos os clubes participantes das competições nacionais, federações e também para os órgãos da justiça desportiva.

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