Fiel ao Corinthians, mas sem apelar nem para São Jorge

Corintiano revela paixão pelo time paulista até no corpo, com tatuagem gigante nas costas

Manaus – Torcendo com um ‘bando de loucos’ ou sozinho, corintianos e blues revelam a paixão pelos clubes e, também, a apreensão com o jogo deste domingo na final do Mundial de Clubes da Fifa, a partir das 6h30 (de Manaus). 

O corintiano Stanley Morais, 24, e o ‘blue’ Daniel Brazão, 32, não se conhecem. Têm em comum, porém, a paixão pelo futebol. O amazonense Stanley diz que não poderia ter escolhido outro time do coração. “Sou filho único. Além de mim e dos meus pais, só o cachorro também é corintiano”, brincou Morais, que não tem muito apreço pelo futebol inglês, considerado um dos mais competitivos do mundo. “O único que admiro de longe é o Barcelona (da Espanha)”, declarou.

Morais, que é professor de jiu-jítsu, afirmou não ter superstições, simpatias e nem sequer apela a São Jorge, santo padroeiro do Timão, ao contrário de outros corintianos fiéis que costumam fazer promessas em dias de jogos decisivos. “Minha família é toda evangélica. Faço apenas uma oração antes de cada jogo e pronto. A proteção de Deus já basta”, disse o torcedor alvinegro.

Loucura nas costas

Integrante da torcida organizada Fiel Manaus, Morais não foge de nenhuma concentração do grupo de apaixonados pelo Corinthians. Mesmo quando fica difícil acompanhar os lances da partida, como na estreia do clube no Mundial, quarta-feira passada, na vitória por 1 a 0 sobre o Al Ahly, do Egito. Ele ficou espremido entre mais de 400 torcedores na garagem da casa de um dirigente da Fiel na Cidade Nova, zona norte de Manaus.

“Quando era mais novo, entre 13 e 14 anos, caminhava cerca de dez quilômetros da minha casa em Flores até a antiga sede da Fiel no Santos Dumont apenas para ficar no meio da torcida”, comentou Stanley, que deve repetir neste domingo a mesma peregrinação do primeiro jogo.

Para não fugir da alcunha de ‘bando de loucos’, Morais revelou que a maior loucura que já fez pelo Corinthians ele carrega, literalmente, nas costas. “Aos 19 anos, fiz uma tatuagem nas minhas costas das asas abertas de um gavião (ave-símbolo da torcida organizada Gaviões da Fiel, de São Paulo). Gastei R$ 1,7 mil e demorou quatro meses para ficar pronta. Tudo em homenagem ao clube e à fiel torcida”, disse, cheio de orgulho.

Após a conquista inédita, de forma invicta, da Copa Libertadores, em julho, Morais não teme o favoritismo do Chelsea. Crê que o Timão fechará o ano com mais um título internacional.

“O Corinthians vai ganhar por 2 a 1, com um gol do Romarinho e outro do Paulinho”, previu. “E quem abrirá o placar seremos nós. Podemos ser uma torcida acostumada a sofrer, mas cheia de garra. No time não há estrelas, só guerreiros”, disse Morais, que cursa Educação Física.

A concentração da torcida da Fiel, neste domingo, será novamente na Rua 169, Núcleo 8, Cidade Nova.

Estrutura seduziu fã do Blue

O empresário Daniel Brazão, 32, não herdou dos pais e de nenhum parente a preferência pelo Chelsea como time do coração. Carioca e sócio-torcedor do Flamengo desde 1995, Brazão virou ‘blue’ (azul em inglês, apelido do torcedor do Chelsea) desde que viajou com a esposa, a gaúcha e gremista Maiara Motta, e os sogros para a Inglaterra há seis anos. Ele ficou impressionado com a estrutura do tradicional clube inglês.

“Conheci o Stamford Bridge (estádio pertencente ao Chelsea) e gostei de toda a história do clube”, comentou Brazão, que ainda não conseguiu ver ao vivo o time inglês jogar. “Fazemos uma viagem em família a cada dois anos para a Europa. Já vi os jogos do Milan, Inter de Milão e Barcelona, menos do Chelsea, mas uma hora vou conseguir”, acredita.

Ao contrário do corintiano Stanley Morais, Brazão tem um talismã que diz ser infalível. “Comprei uma camisa oficial, em 2009, e quando o Chelsea precisa de uma ajuda uso essa camisa”, revelou o torcedor, que costuma usar um protetor de cabeça igual ao do goleiro Petr Cech. “É mais para ficar curtindo com os amigos”, afirmou.
Sem esconder a confiança no time inglês, Brazão também arrisca um placar: “Será de 2 a 0, com gols de Fernando Torres e Oscar”.