Justiça dos EUA pune Marin por corrupção

Ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) foi condenado pela corte de Nova Iorque em seis de sete acusações por corrupção. Pena dele pode chegar até 20 anos de prisão

Nova Iorque – O ex-presidente da CBF José Maria Marin, 85, foi condenado, ontem, na Corte do Distrito Leste de Nova Iorque, nos Estados Unidos. A juíza Pamela Chen aceitou o pedido dos promotores e decidiu pela prisão imediata de Marin. Ele foi considerado culpado em seis das sete acusações de corrupção. A magistrada não aceitou os argumentos dos advogados de Marin, que pediram que o brasileiro aguardasse a sentença em prisão domiciliar.
Marin é dono de um apartamento de luxo na Trump Tower, em Nova Iorque, onde se encontrava recluso em prisão desde sua extradição para os EUA, em novembro de 2015, e pode pegar até 20 anos de prisão. A pena ainda não foi imposta pela juíza Pamela Chen, que deve ocorrer depois do Natal.

José Maria Marin. Foto: Cezar Loureiro/O Globo

Além do brasileiro, outro cartola também foi condenado: Juan Angel Napout, ex-presidente da Conmebol e ex-vice-presidente da Fifa. Manuel Burga, ex-presidente da Federação Peruana de Futebol, ainda não teve o veredicto de seu caso anunciado.

O trio responde a 13 denúncias, transformadas em sete acusações. Há três semanas, o júri norte-americano, composto por 12 pessoas, delibera sobre o assunto depois de ouvir acusações e defesas dos réus. O cartola brasileiro e seus pares cumprem prisão domiciliar em Nova Iorque. Todos eles estavam no tribunal, ontem.

Marin foi condenado na última sessão do tribunal antes do Natal. Ele era acusado de sete crimes: conspiração para recebimento de dinheiro ilícito, conspiração para fraude relativa à Libertadores, conspiração para lavagem de dinheiro relativa à Libertadores, conspiração para fraude relativa à Copa do Brasil, conspiração para lavagem de dinheiro relativa à Copa do Brasil, conspiração para fraude relativa à Copa América e conspiração para lavagem de dinheiro relativa à Copa América. A Justiça dos EUA o acusou formalmente de ter recebido US$ 6,5 milhões desde que assumiu o cargo, em 2012.

Na decisão, ontem, em Nova Iorque, o jurado considerou Marin culpado em seis das sete acusações. O dirigente brasileiro foi absolvido da acusação de lavagem de dinheiro da Copa do Brasil. Juan Angel Napout foi considerado culpado em três das cinco acusações.

Quando José Maria Marin foi surpreendido pela polícia em seu luxuoso quarto de hotel, em Zurique, no dia 27 de maio de 2015, recebeu uma recomendação dos agentes que o levaram: a mala que estava preparando era pequena demais. “Faça uma mala maior. Existe o risco de que isso não termine muito cedo”, disse um deles.

Eram 6h10 da manhã daquela primavera europeia. No luxuoso hotel Baur au Lac de Zurique, uma operação da polícia suíça daria início a uma revolução no futebol, com a prisão de alguns dos mais poderosos dirigentes do esporte em cooperação com o FBI.

Dois anos e meio depois, 41 cartolas foram indiciados e mais de uma dezena de federações viram seus presidentes serem presos por corrupção. No total, a Justiça norte-americana já aplicou mais de US$ 190 milhões em multas. A Fifa, bilionária, foi obrigada a se refundar para não desaparecer e gastou US$ 60 milhões apenas com advogados.

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