Projeto social difunde a cidadania através do jiu-jítsu

Crianças e jovens têm aulas grátis. Mesmo com estrutura, local ainda carece de equipamentos, como Quimonos. Alguns alunos, iniciantes, precisam treinar com calça e camisa

Thiago Fernando / [email protected]

Projeto social Ivo Neto ensina jiu-jítsu para os jovens do bairro Santa Luzia, na Rua Leopoldo Neves, próximo ao posto de saúde (Foto: Eraldo Lopes)

Manaus – Há quase uma década, o projeto social Ivo Neto vem ensinando jiu-jítsu para os jovens do bairro Santa Luzia, zona sul de Manaus. Instalado na Rua Leopoldo Neves, próximo ao posto de saúde, o trabalho tem gerado frutos e ensinado cidadania para as novas gerações.

Funcionário público, o mestre Ivo Neto, de 37 anos, encontrou na arte suave uma maneira de ajudar outras pessoas. Praticante da modalidade desde a adolescência, o faixa preta conseguiu formar outros 15 ‘pretas’, em nove anos de projeto. “Nosso projeto já funciona há mais de nove anos, em quatro horários. Pelo horário da manhã, tarde e dois à noite. Hoje, acolhemos mais de 120 pessoas. Já formei mais de 15 faixas preta. Temos uma filial no São José (zona leste) e vamos abrir uma na Venezuela. São todos atletas que começaram aqui, cresceram, e, agora, estão ensinando outras crianças”, explicou Ivo, que citou a satisfação em ver o desenvolvimento das crianças e dos jovens, após iniciarem na modalidade.

“Para nos, é satisfatório ver um menino ou uma menina chegando aqui muito fechado, com dificuldades para fazer amizades, até com limitação psicomotora, se soltando a partir do momento que começa a treinar. Quando observamos, ele já começa a fazer coisas que não fazia quando entrou na academia. Isso é muito satisfatório para todos os envolvidos no projeto”, afirmou o mestre.

Projeto une esporte com cidadania na comunidade

Além de formar atletas, o objetivo do mestre Ivo é formar cidadãos. Por ser um projeto social, o professor não cobra mensalidade dos jovens. Porém, para ajudar as famílias carentes do bairro, ele pede quatro quilos de alimentos não perecíveis, que viram cestas básicas. “Isso é legal para caramba. Ao mesmo tempo, trabalhamos o esporte e ajudamos quem precisa”, citou o professor, que tem a concessão do local, após ser doado pela Policia Civil. “Era um local abandonado. Limpamos e cobrimos, com ajuda de um amigo, que construiu de graça. Ganhamos o termo de concessão e renovamos por cinco”, disse.

Transformação de vidas através da arte suave

Uma das primeiras alunas do projeto, a fisioterapeuta Raisa Seabra, de 31 anos, disse que o esporte foi fundamental para a formação dela como pessoa e profissional. Graças à modalidade, ela conseguiu vencer barreiras, como a timidez. “Faço jiu-jítsu há 17 anos. O jiu-jítsu foi importante para melhorar a minha desenvoltura interpessoal. Sempre fui uma criança muito introspectiva, reservada. No jiu-jítsu, expandi o meu leque de comunicação. Fora a parte física. Para as crianças, é primordial a parte da coordenação motora. Tem também a disciplina, que cobramos bastante, sem falar que temos o lado do incentivo ao estudo”, disse Raisa.

Anúncio