Última luta do Spider no País será em maio, no RJ

Aos 44 anos, o brasileiro Anderson Silva revelou que depois do evento no Brasil, próximas lutas serão no exterior para os fãs do MMA

Rio de Janeiro – A caminhada de Anderson Silva no MMA está perto do fim e terá, possivelmente, seu último capítulo escrito no Rio de Janeiro, no dia 11 de maio. E, após mais de duas décadas em ação no esporte, o brasileiro lamentou a ausência de um amigo de longa data para dividir essa experiência no card do UFC 237: Rodrigo ‘Minotauro’.

Última luta de Anderson Silva no Brasil será em maio, no Rio de Janeiro (Foto: Divulgação)

Em entrevista coletiva que contou com a presença da Ag Fight na última semana, “Spider” citou, com certo saudosismo, seu velho parceiro e atual embaixador do Ultimate no Brasil. Aos 44 anos e próximo do fim da carreira, Anderson ressaltou a importância de atuar em outros países a fim de privilegiar os fãs ao redor do mundo e admitiu que esse combate pode vir a ser seu último na “Cidade Maravilhosa”.

“UFC Rio de Janeiro? Sinto falta do ‘Minotauro’. Sinto falta do meu mestre lá lutando. Não é a mesma coisa você estar em um card desse sem ter o ‘Minotauro’ lutando. Lógico que estou super feliz que o ‘Minotouro’ estará lá dividindo o octógono comigo, mas é diferente ter o ‘Minotauro’ na jogada, o clima é diferente. Mas estou feliz de poder lutar no Rio novamente, poder lutar para os meus fãs. É como eu falei, é uma das últimas lutas… Não sei quando eu vou lutar no Rio de novo, espero que muito em breve, no Brasil, mas pode ser que não. Então me sinto muito feliz e empolgado de poder dividir esse espaço com todos os outros brasileiros que estarão lutando”, destacou Spider, antes de revelar onde ainda atuar em seus últimos compromissos como lutador.

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Spider considera Minotauro como o seu mestre na arte marcial (Foto: Divulgação)

“Lutar no Brasil é bom, mas a gente tem que entender que tem fãs no mundo inteiro. Então, onde for viável, ter a oportunidade de ver o poder que o Brasil tem fora do país, tentarei fazer o meu melhor. (…) Eu tentei lutar na China, não deu certo, é um lugar em que eu gostaria de lutar. Que tem toda uma mística das artes marciais, então eu gostaria de lutar lá”, completou o veterano brasileiro.

E em sua possível última aparição no Brasil, Anderson encara o peso-médio (84 kg) Jared Cannonier. O card de número 237 será encabeçado pelo confronto entre Rose Namajunas e Jessica ‘Bate-Estaca’ – válido pelo cinturão dos pesos-palhas (52 kg) da organização.

Preparação toda voltada para uma apresentação de qualidade

Anderson Silva é um dos poucos atletas de MMA a chegar aos 44 anos de idade ainda em atividade. E é exatamente por isso que o brasileiro, lutador mais velho do plantel do UFC, tem que, mais do ninguém, se precaver de lesões. Luiz Dórea, responsável por afiar o boxe do ex-campeão do Ultimate, revelou a estratégia adotada atualmente durante o camp do peso-médio (84 kg).

Em entrevista exclusiva à Ag Fight, o treinador admitiu que é comum entre lutadores uma queda de rendimento com o decorrer dos anos. Por sua vez, afirmou que o tempo também foi generoso com Silva ao lhe conceder, acima de tudo, experiência para tomar melhores decisões dentro e fora dos octógonos.

“É normal (dificuldade em se recuperar), por isso a gente busca qualidade nos treinos. Hoje não focamos em quantidade e sim em qualidade, treinar algo específico que ele usa na luta, com algumas precauções e buscando sempre aplicar muita técnica nos exercícios. Ele se alimenta muito bem. O treino em si não é só na academia, também vem da sua alimentação, do seu repouso, da qualidade de treino na academia. Então hoje ele se recupera – claro que quando mais jovem se recuperava muito mais rápido. Mas o Anderson é acima do normal, para a idade que ele tem, 44 anos, ele está com condição melhor que muito garoto por aí”, garantiu Dórea, antes de assegurar que os treinos permanecem basicamente os mesmos apesar da idade.

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Spider tem afiado seu boxe com o consagrado treinador Luiz Dória (Foto: Fábio Oberlaender/AG. Fight)

“Não (muda o método), porque o Anderson tem um lastro muito grande, né? Já tem uma história boa nas artes marciais. Hoje a gente preza muito pela qualidade no treino, é uma equipe que o acompanha há muitos anos. Ele tem uma habilidade acima do normal, se cuida também fora do octógono, com alimentação, repouso. Então acredito que ele vá permanecer mais tempo ainda dando alegrias para a gente dentro do octógono. A gente mantém o mesmo treino dele, com algumas precauções, claro. Mas permanece – Anderson é um atleta de alto rendimento ainda, que consegue cumprir todos os fundamentos, etapas de treino, como está sendo agora. Graças a Deus sem lesão, então estamos bem tranquilos e confiantes”, completou o treinador de boxe do brasileiro.

Anderson retorna ao octógono mais famoso do mundo no próximo dia 11 de maio, quando mede forças com Jared Cannonier no UFC Rio. Com a derrota sofrida para Israel Adesanya em seu último compromisso, as chances do veterano ainda disputar o cinturão antes de se aposentar são baixas, mas para Luiz Dórea isso pouco importa.

“Eu acho que o Anderson hoje é um supercampeão. O Anderson Silva está acima do cinturão. Claro que ele quer – pensando em se aposentar -, voltar a ser campeão do mundo, se aposentar como campeão, porque ele é merecedor disso. Ele já faz parte da história do MMA mundial. Na minha opinião é o melhor atleta da categoria, um dos melhores do mundo de todos os tempos. Dificilmente alguém vai fazer o que Anderson fez e o que o Anderson (ainda) faz”, opinou Luiz em conversa com a Ag Fight. Apontado por muitos como o maior lutador de todos os tempos, Anderson se encaminha para o final de sua vitoriosa carreira no MMA. Ao longo de sua trajetória como profissional, Spider somou 34 triunfos, nove derrotas e um ‘no contest’ (luta sem resultado).

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