Pais, atletas e motivadores: exemplos de casa no esporte

Em uma das datas mais especiais do ano, reportagem mostra como o esporte praticado pelo patriarca da família influencia no relacionamento com os filhos dentro e fora das modalidades

Manaus – O esporte é uma ferramenta de inclusão social e saúde para todas as idades, isso nós já sabemos. Entretanto, a manifestação cultural também é uma maneira de estreitar os laços familiares, principalmente entre pais e filhos que praticam o mesmo esporte. Eles dividem o dia a dia com treinos pesados, dietas, dores, e tendo um convívio maior que muitos pais e filhos, o que acabam fortalecendo a amizade entre eles. Neste especial de Dia dos Pais, a REDE DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (RDC) conversou com duas famílias de atletas que sabem muito bem como a atividade física ajudou na união entre pais e filhos.

Parceria vitoriosa para a vida

Conhecedor dos benefícios da atividade física, o designer e triatleta Alcides Cordova Netto, 42, praticou diversos esportes durante a infância e a juventude. Hoje, no triathlon, Alcides já conseguiu completar até Iroman (4km de natação, 180km de ciclismo e 42 de corrida). Apaixonado por natação, o pai colocou suas três filhas no esporte, mas somente a filha do meio, Eduarda Cordova, 13, decidiu tornar-se atleta de alto rendimento.

Alcides conta com a presença da filha, Eduarda para se manter ativo nos treinos de triathlon (Foto: Jimmy Geber)

“Sempre acreditei que esporte é um ambiente em que se constrói amizades e valores para formação de uma pessoa, tenho três filhas, Júlia, Letícia e Eduarda. As três praticaram a natação como atividade física. Já a Eduarda encarou como um esporte e seguiu treinando com regularidade e começou a participar de competições de natação, conseguindo destaque no cenário Norte-Nordeste”, disse orgulhoso.

O pai também incentivou a filha a participar do triathlon (natação, ciclismo e corrida), onde já foi duas vezes vice-campeã brasileira, mas a natação conquistou seu coração. “Ele me apresentou primeiro a natação e depois o triatlon. Mas gostei mesmo do esporte aquático”, confessa.

Mesmo com a pouca idade Eduarda admite que, graças ao amor que ambos têm pela natação, a relação com o pai é um diferencial em comparação a outros pais e filhos. “A nossa relação melhorou bastante por conta do esporte, pois, sem você perceber, ele cria laços que são dificeisde explicar. Diferente de muitos, ele é meu parceiro da vitória e da derrota”, comentou a nadadora.

Amarrando o futuro

Amante da arte suave desde os anos 1990, o empresário Jhon Kleicy Aguiar, 40, teve que praticar o esporte escondido da família, porque seus pais não deixavam praticar a modalidade. Vindo de uma família com poucas condições financeiras, John nunca conseguiu virar um atleta profissional da modalidade.

John tem os filhos por perto para treinar jiu-jítsu (Foto: Eraldo Lopes)

“Eu fui treinando aos poucos, até pelas condições de comprar um kimono que na época era bem caro. Nunca fui de competir porque não tinha condições e também, quando completei 20 anos me casei. Então eu tive que trabalhar para sustentar a família, não tendo chances de me tornar profissional”, disse.

Neste período, o empresário teve dois filhos: Lukas Matheus Aguiar, 19, e Graziela Aguiar, 17. Ambos são lutadores de jiu-jítsu e se tornaram verdadeiros talentos do esporte, conquistando o Circuito Europeu de jiu-jítsu e o vice-campeonato Mundial Juvenil, respectivamente, enchendo o paizão de orgulho.

“É muito bom poder dar para eles o que eu não tive. Creio que todo pai pensa dessa maneira. A inclusão cultural das viagens tem sido importante no crescimento como pessoa e atleta para os dois. Tenho muito orgulho do meu casal de filhos”, comenta o pai coruja. ‘Corujisse’ é afirmada pelo filho mais velho, Lukas, que admite que o seu maior incentivador no esporte é o pai. “Ele grita nas competições, faz confusão com a arbitragem se erram, não fica quieto (risos). Mas ter meu pai junto comigo é uma motivação a mais. Porque além de me ensinar, ele sabe como me cobrar. Eu e meu pai somos muito ligados, graças ao esporte. Agradeço a ele por ter-me apresentado”, comentou.

A caçula, Graziela, conta que, antes de praticar a modalidade, sua relação com o pai era um pouco distante. “Depois que comecei a treinar, me aproximei bem mais do meu pai nesse quesito. Meu pai é um verdadeiro corujão (brinca), ele sempre procura saber o que está acontecendo na minha vida e sempre tenta participar ao máximo. Me considero uma sortuda”, completou.

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