No AM, árbitra de boxe inicia caminhada no MMA

Fisiologista do esporte, amazonense Amanda Figueiredo é árbitra da nobre arte e agora inicia trajetória no MMA

Manaus – No último sábado (25), o Mr. Cage 41, um dos principais eventos artes marciais mistas do Brasil — e com origem manauara—, contou com seis combates de alto nível e marcou, ainda, a volta oficial dos shows MMA em todo o país. Mas, do lado de fora da grade, o que marcou mesmo foi o trabalho da educadora física Amanda Figueiredo, 32, que, como toda mulher, fez bonito o papel de fiscal dos lutadores e de xerife da área de luta.

O trabalho feito pela fiscal de lutador é verificar a existência —ou não, de alguma vaselina nos lutadores antes de subirem na jaula. O famoso check-list antes do combate. E como xerife, é a responsável por manter a ordem entre técnicos fora do cage durante a luta, para, assim, evitar possíveis confusões entre treinadores.

Amanda Figueiredo estreou na comissão atlética de lutas do Amazonas como fiscal de luta no Mr. Cage 41, realizado sábado, em Manaus (Foto: Arquivo Pessoal)

Coordenada pela Comissão Atlética Lutas que chancela os eventos da Federação de Artes Marciais Mistas do Amazonas (Famma), as funções são fundamentais para que um evento de MMA não acabe em desorganização ou confusão. Apesar da pouca experiência na função e na prática da arbitragem do MMA, Amanda diz que não sofreu preconceito na função. Pelo contrário, recebeu foi o apoio de toda a equipe.

“Não tive preconceito algum. Pelo contrário, as pessoas dão mais apoio e eu acho isso incrível. Acho incrível estar ali, onde só tem homens e eu fazendo o meu trabalho. Espero que mais mulheres apareçam. Se isso não for cultural, quem sabe a gente mude esse panorama”, conta a fiscal, pós-graduada em fisiologia do exercício, com licenciatura e bacharelado em educação física.

A ideia de atuar como árbitra em lutas de boxe e de MMA, surgiu por meio da paixão de Amanda pela ‘nobre arte’. “Eu acho incrível quando uma mulher faz o seu trabalhando quando normalmente seria ocupado por homem. E o fato de que o árbitro não precisa ser visto chamou mais a minha atenção do que aparecer como lutadora. Foi quando eu conheci a história da Marcela Souza, que foi bailarina e, influenciada pelos pais, se tornou árbitra de boxe reconhecida internacionalmente. E quando o professor Fiola me contou a história da Marcela, eu decidi que era o que queria” revelou Amanda, ao garantir, ainda, que não abandonará sua origem. “Em fevereiro estreei como árbitra central de boxe e agora começo a caminhada no MMA. A ideia é arbitrar nos dois estilos”.

Amanda Figueiredo, ou ‘Amandinha’, como é conhecida pelos amigos mais próximos, divido o tempo entre aulas de educação física, e o estudo de regras especializados na arbitragem, que, segundo ela, causa um ‘nervosismo antes de começar’. “É claro que arbitrar causa um nervosismo, mas quando termina e dá tudo certo, fica a sensação de dever cumprido”, explicou.

Trajetória na luta

Hoje, além da formação acadêmica superior, o tempo dedicado ao estudo das regras credenciam Amanda Figueiredo a atuar como árbitra. No entando, a paixão pelo esporte de luta surgiu após ‘relacionamentos’ com jiu-jítsu, com muay thai e claro, pelo boxe. “Eu nunca fui atleta. Aos 17 anos graduei faixa-azul no jiu-jítsu, mas parei logo em seguida. Depois comecei a luta livre, lutei dois campeonatos, mas como trabalhava e tenho uma filha, não tinha muito tempo para treinar. Mas acredito que me encontrei bem no boxe. Fora que acho o esporte bonito de ver, no olímpico e profissional. Hoje quero fazer tudo que estar ao redor dele. Treinar, arbitrar e conquistar o meu espaço”, finalizou.