Piscina Olímpica em Manaus vira novela sem fim

Berço da natação amazonense e esquecida pelo Estado, piscina olímpica tem nova inauguração programada para 13 de novembro

Manaus – A natação amazonense vive um verdadeiro estado de abandono devido à demora da reforma do Parque Aquático da Vila Olímpica de Manaus, localizada no bairro Dom Pedro, zona oeste da cidade. A última competição realizada no local aconteceu em agosto de 2015, quando a Federação Amazonense de Desportos Aquáticos (Fada) recebeu a promessa de ter ‘uma nova estrutura’ para o ano seguinte.

Vila Olímpica começa a ganhar as peças para a montagem da estrutura do parque aquático. (Foto: Sandro Pereira)

Entretanto, até hoje, três anos se passaram e o espaço segue ganhando forma ‘a passos de tartaruga’. Agora, de acordo com a Secretaria de Estado da Juventude, Esporte e Lazer (Sejel), que demorou 13 dias para responder as perguntas feitas pela equipe de reportagem da REDE DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (RDC), o novo prazo para entrega do espaço é 13 de novembro. Inicialmente, a obra foi orçada em R$7 milhões (sendo R$6 milhões do governo federal e R$1 milhão de contrapartida do Estado), contemplava uma modernização em todo o parque aquático.

Se já não bastasse o atraso para a montagem da piscina, tem ainda o susto sofrido pelos adeptos ‘às braçadas’, pois o equipamento esteve prestes a ser devolvido ao Ministério do Esporte por conta de problemas no contrato de cessão e, também, por conta de erros de documentação do Estado. A troca constante de comando da Aeronáutica, responsável por trazer a piscina do Rio de Janeiro até Manaus, também influenciou.

Na última sexta feira (10), a equipe de reportagem da RDC teve acesso ao local em que a nova piscina será montada, hoje, ocupado por tubulações e placas da nova estrutura.

Capacitação para manutenção

Para entender melhor a situação da piscina, a reportagem entrou em contato com o engenheiro da empresa Myrtha Pools, Marcelo Santos, responsável pela montagem da piscina.

De acordo com Santos, a piscina é um conjunto de placas montáveis, mas com grande precisão de encaixe. O sistema de tratamento de água é automatizado e mede pH e o cloro da piscina, colocando a quantidade ideal na água. Porém, ele lembra que, para usufruir de toda a tecnologia disponível, um profissional deve ser treinado para cuidar dos novos equipamentos.

“Nós, da Myrtha Pools, não ficaremos com a manutenção da piscina. Somente a montaremos nas melhores condições. A manutenção deve ser feita com alguém capacitado, afinal é um equipamento tecnológico que precisa ser averiguado a cada semana, já que a sua utilização será grande”, explica o engenheiro.

Agosto de 2015 foi a data do último torneio de natação realizado na Vila Olímpica. (Foto: Fada/Divulgação)

Questionada pela reportagem sobre quem ficará com a ‘missão’ de prestar a manutenção semanal no novo espaço, em nota, a Sejel informou que ‘serão feitas pesquisas com empresas capacitadas para executar a manutenção do novo parque aquático’, contradizendo a indicação do fabricante.

“Não será necessário uma equipe grande de pessoas ou uma empresa para a manutenção da piscina. Esta piscina foi criada justamente para que poucas pessoas possam manuseá-las, para diminuir os custos de manutenção. Por isso que ela é automatizada. Não faria sentido tanta tecnologia para que uma empresa precisa-se fazer a manutenção, isso aumentaria o seu custo”, disse Marcelo Santos.

Serviço incompleto

Se já não bastasse o atraso sem fim para entregar o novo espaço, o presidente da Federação Amazonense de Desporto Aquático (Fada), Vitor Hugo Façanha, revelou, ainda, que a entrega, prevista para novembro, é somente para a piscina olímpica (50 metros) e que o espaço não poderá ser usado para as competições da principal entidade do desporto no Estado. “Eles (Sejel) disseram que iriam reformar paralelamente a piscina de saltos e a semiolímpica, além da arquibancada. Ainda falta a compra dos blocos, pois são necessários 20 e herdamos somente dez. A reforma da cabine de controle, as raias anti-marolas e o sistema de cronometragem devem chegar somente no ano que vem, apesar de já ter passado a lista de materiais no início de 2018”, disse o mandatário.