Projeto ‘resiste’ há 24 anos com aulas de futebol grátis

Iniciativa de um professor do bairro União atende uma média de 270 crianças em situação de risco

Manaus – Há 24 anos, as crianças do bairro União, na zona centro-sul de Manaus, têm uma opção para se divertir e sonhar com um futuro no esporte. Graças ao esforço do professor Ameriso Carvalho Rodrigues, 39, a escolinha de futebol do bairro União vem funcionando regularmente e ajudando a formar cidadãos. O projeto, que acontece no campo da Palestina, conta com uma média de 270 alunos.

Morador do bairro, Ameriso vê no projeto uma oportunidade de tirar as crianças da rua, nem que seja por aquele momento. Sabendo da situação do local, considerado área vermelha pela violência, Ameriso se esforça para manter os treinamentos, mesmo sem apoio de um patrocinador.

“A escolinha é totalmente voltada a comunidade e os bairros aqui de perto. Os alunos não pagam nada. Temos ajuda de algumas pessoas quando temos que fazer campeonatos e da própria comunidade. Mas, no geral, é tudo no improviso”, disse o professor.

Ele conta que, durante os treinamentos, que acontecem as segundas e terças-feiras, mais de 200 alunos comparecem às aulas. Já no final de semana, o número chega a 70. Além de ter compromisso com as atividades, todos os alunos devem estudar e ter a autorização dos pais.

“Gostou de jogar bola, vem para cá. Dividimos por idade para que não tenham lesões. O pai e a mãe tem que autorizar para treinar e a criança tem que estar estudando. Fazemos um documento para autorizar e lá tem essa cláusula.

Geralmente, fazemos alguns campeonatos internos para ajudar. Nesse último campeonato, tivemos ajuda de comerciantes. Fora isso, tivemos ajuda da Semjel (Secretaria Municipal de Juventude, Esporte e Lazer), que deu todos os troféus e medalhas”, explicou Ameriso.

O esforço do professor é visto pela comunidade. O vice-presidente da associação de moradores, Ivo Prata, afirma que é louvável o esforço de Ameriso. Ele revela que todos os equipamentos da escolinha são comprados pelo professor, que não recebe pelo serviço.

“Ele (Ameriso) faz tudo por amor. Não recebe nada e ainda coloca do seu (bolso) para comprar bola e os outros equipamentos. Ele tira muitos garotos e garotas da rua e ajuda a formar o caráter”, disse.