Robinho e Santos anunciam suspensão de contrato

Depois da pressão de patrocinadores e torcedores, clube optou por suspender o contrato com o atacante. Jogador é condenado em primeira instância na Itália por estupro

São Paulo – Depois da pressão de patrocinadores e torcedores, o Santos optou por encerrar o contrato com o atacante Robinho. O clube divulgou na noite desta sexta-feira (16) uma nota informando que suspendeu a validade do contrato com o jogador.

 

Pelas redes sociais, Robinho também fez o anúncio. “Com muita tristeza no coração, venho falar para vocês que tomei a decisão junto do presidente de suspender meu contrato neste momento conturbado da minha vida. Meu objetivo sempre foi ajudar o Santos Futebol Clube. Se de alguma forma estou atrapalhando, é melhor que eu saia e foque nas minhas coisas pessoais. Para os torcedores do Peixão e aqueles que gostam de mim, vou provar minha inocência”, disse o jogador.

Robinho chegou ao Santos como grande contratação para a temporada. Era a aposta de marketing para um clube que está sem patrocínio master desde o final de 2018 e poderia repetir boas atuações e trazer os holofotes, como conseguiu em suas outras passagens. Mas a condenação por estupro em 1ª instância na Itália – a decisão do Tribunal de Milão ainda não é definitiva e é alvo de contestação da defesa do jogador – ganhou enorme repercussão nos últimos dias e a pressão dos patrocinadores aumentou bastante.

Nesta sexta-feira (16), uma reportagem do site GE.com revelou detalhes da sentença condenatória que deixaram o jogador em situação mais delicada. Transcrições de interceptações telefônicas realizadas com autorização judicial mostraram que Robinho revelou ter participado do ato que levou uma jovem de origem albanesa a acusar o jogador e amigos de estupro coletivo, em Milão, na Itália. Em 2017, a Justiça italiana se baseou principalmente nessas gravações para condenar o atacante em primeira instância a nove anos de prisão.

De acordo com a investigação, Robinho e outros cinco amigos, incluindo Ricardo Falco, que também foi condenado, levaram a mulher ao camarim de uma boate chamada Sio Café, em Milão, e lá abusaram sexualmente dela. O caso aconteceu em 22 de janeiro de 2013, quando o atleta defendia o Milan. Os outros suspeitos deixaram a Itália ao longo da investigação, e por isso a participação deles no ato é alvo de outro processo.

Desde o início a diretoria do Santos e o técnico Cuca se colocaram ao lado do atleta, mas a pressão forte também de parte dos torcedores pelo rompimento do contrato fez diferença. Segundo Fábio Wolff, sócio-diretor da Wolff Sports & Marketing, não é comum esse tipo de atitude no Brasil dos patrocinadores no futebol, mas é uma situação que vem mudando nos últimos anos. “Quando a influenciadora Gabriela Pugliesi deu uma festa durante a pandemia de covid-19, as marcas foram cobradas pelos consumidores, e ela perdeu patrocinadores”, comentou.

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