Tenista relata dias difíceis com pandemia: ‘Carreira é o que menos importa agora’

O espanhol Rafael Nadal acredita que, até que haja uma cura para a Covid-19, será complicado voltar aos torneios de tênis

Manacor – A pandemia do novo coronavírus tem afetado o esporte por todo o mundo há mais de um mês. Cumprindo o confinamento estabelecido pelas autoridades sanitárias de seu país, o tenista espanhol Rafael Nadal lamentou nesta quinta-feira (16) a atual situação e disse não ver o circuito profissional retornando logo por contar com torneios e jogadores espalhados por todo o planeta.

“Quando há tantas pessoas sofrendo como agora, o que menos importa é a minha carreira”, diz Rafael Nadal (Foto: Reprodução)

“Nosso esporte é global, nos movemos semana a semana ao redor do mundo. Organizar um torneio de tênis envolve mobilizar muitas pessoas de um lugar para outro e isso é muito arriscado. Acho que até que haja uma cura, a situação não vai melhorar e será complicado voltar. Devemos ter muita responsabilidade e paz de espírito”, afirmou o atual número 2 do ranking da ATP, que garante se preocupar mais com as pessoas do que com o esporte.

“Quando há tantas pessoas sofrendo como agora, o que menos importa é a minha carreira. De qualquer forma, acho que será difícil disputar um torneio a curto ou médio prazo porque o tênis é um esporte global”, disse, em entrevista à rádio espanhola Cadena Cope, Nadal, que não acredita em competições disputadas com os portões fechados.

O tenista espanhol revelou que viveu dias difíceis em termos psicológicos durante pouco mais de uma semana no início do confinamento em sua casa, na cidade espanhola de Manacor. Segundo ele, mesmo querendo superar a “falta de vontade”, as notícias ruins que se sucediam contribuíram para deixá-lo em um estágio depressivo.

“Estou melhor agora que passaram três semanas para ser sincero. Ainda que a gente saiba que ficaremos mais tempo confinados porque a situação é o que é. Mas, ao menos, eu creio que nós, seres humanos, nos adaptamos ao que acontece. Temos essa capacidade, sem dúvidas. E também há outra coisa. No começo de tudo, as notícias que iam saindo eram tão terríveis que era difícil ter vontade de qualquer coisa. Fiquei em casa uma semana e pouco, fazendo meu esporte, minhas coisas, mas sem vontade. Evidentemente triste porque não ter vontade é algo que me incomodava. Tinha vontade de levantar e fazer coisas que me ajudassem a estar melhor. Mas, a verdade é que estava muito difícil. Ficava o dia todo vendo a televisão, ouvindo coisas ruins que nos contavam. E realmente não havia nada positivo. Era tudo negativo. E foi difícil me afastar de tudo isso”, contou Nadal, em uma outra entrevista, desta vez para a rádio Onda Cero.

“Tento me manter ativo e fazer as atividades físicas prescritas, mas ganhei um pouco de peso. De qualquer forma, o que menos importa para mim agora é o tênis”, disse o espanhol, reconhecendo que não tem sido fácil manter a forma física nas atuais circunstâncias.

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