Vadão reprova comparações e diz que futebol feminino precisa virar paixão nacional

O técnico disse que comemorou quando Manaus foi sorteada para receber a terceira rodada da fase classificatória do Torneio Olímpico

Manaus – ‘Diferentemente dos outros países, começamos a casa pelo telhado e depois pensamos nos alicerces’, foi assim que o técnico da seleção brasileira feminina de futebol, Vadão, definiu a organização da modalidade no país. Após fazer o reconhecimento do gramado da Arena da Amazônia, no final da tarde de hoje (8), o comandante conversou com a imprensa e salientou que o futebol feminino precisa sair das regiões Sul e Sudeste e virar uma paixão nacional. Ele ainda lembrou que no último Campeonato Brasileiro, Manaus foi a capital que reuniu o maior público.

Em mais de 20 minutos de conversa, Vadão afirmou que comemorou quando Manaus foi sorteada para ser a casa das meninas do Brasil durante a terceira rodada da fase classificatória do Torneio Olímpico. Ele citou o sucesso da equipe feminina do Iranduba na temporada e ainda destacou a meia amazonense Micaelly, que já faz parte das seleções de base canarinha.

“Quando saiu a tabela da seleção brasileira e caiu Manaus como o terceiro jogo, achei importantíssimo para o futebol feminino, porque a resposta do Campeonato Brasileiro foi muito positiva. Nós precisamos divulgar isso e trabalhar melhor. Está centralizado sim, nas regiões Sul e Sudeste. É lá que tem o maior número de clubes e de jogadoras da seleção, mas temos a Micaelly, atleta do Iranduba, que faz parte da nossa seleção de base e é daqui”, disse Vadão.

Questionado sobre se é necessário expandir a modalidade para as demais regiões do Brasil, o treinador afirmou ser obrigatório para que o esporte finalmente se desenvolva e alcance o seu auge. Porém, acha covardia colocar essa responsabilidade nas costas das jogadoras para que elas conquistem a medalha de ouro.

“Acho que devemos expandir rapidamente isso, só que essa expansão se joga nas costas dessa seleção que está jogando, porque precisa da medalha de ouro para expandir. Diferentemente dos outros países, começamos aqui a casa pelo telhado e depois pensamos nos alicerces. Primeiro queremos cobrir a casa para depois fazer as paredes. Sempre começamos pelo caminho inverso. O que nós queremos é que a modalidade seja desenvolvida da mesma forma que acontece em outros países. Somos considerados o ‘País do Futebol’, mas não conseguimos desenvolver da forma certa o futebol feminino. Não podemos a cada Olimpíada ou a cada Mundial, jogar todas as nossas fichas de que temos que ganhar para que o esporte se desenvolva. Sempre estamos jogando com um prejuízo muito grande”, resumiu o comandante.

                                                       Foto: Sandro Pereira 

Por onde passou, a seleção brasileira leva grandes públicos. Em Manaus, não será diferente. Questionado sobre esse carinho, Vadão admitiu que não esperava por conta da distância entre as jogadores e os torcedores. “Sempre digo que está sendo uma grande surpresa positiva, porque a seleção brasileira feminina joga muito pouco no Brasil. Não fazendo muitos jogos aqui, porque não temos o retorno do público. Estamos acostumados a pegar isso fora e, agora estamos nos habituando a jogar com o pblico ao nosso favor”, citou Vadão, que ainda afirmou não saber a por quanto tempo a centroavante Cristiane ficará longe dos gramados. Segundo o próprio treinador, a única certeza é de que a sua substituta será a rápida atacante, Debinha.

“Ela (Cristiane) está fora desse jogo, mas vamos dar um tempo maior para refazer o exame. Depois disso vamos saber o que fazer. Estamos otimistas, a atleta também, mas precisamos de um novo exame. A Debinha que sai jogando. Tivemos uma viagem muito cansativa. Só hoje à noite vamos decidir quem poupar ou não. Fatalmente, algumas serão poupadas, mas não temos os nomes decididos ainda”, revelou o comandante que se mostrou incomodado com as comparações que estão sendo feitas entre as seleções masculinas e femininas do Brasil.

“Não podemos ficar comparando, porque essa comparação não vai nos levar a nada. O masculino é uma coisa e o feminino é outra, embora seja futebol. Não podemos amanhã pegar nossa melhor atleta e comparar com o Bolt (Usain). Estamos pegando a Marta e comparando com o Neymar. Essa comparação não é saudável. Dentro da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), somos uma equipe só. Não existe essa rivalidade. Torcemos pelo masculino como eles torcem pelas meninas. Essa comparação está crescendo demais e não é saudável para o futebol brasileiro”, finalizou.