Vigias da Arena da Amazônia estão com dois meses de salários atrasados

Seguranças que fazem a vigilância do principal espaço multi-uso do Estado sofrem sem salários e sem vale-alimentação há dois meses. Sem armas, vigias têm medo de assaltos

Manaus – Novo governo, velhos problemas. Os seguranças das praças esportivas do Estado contratados pela empresa Porto Seguro LTDA. e que exercem a função de vigilantes na Arena da Amazônia — obra, esta, que custou R$605 mi aos cofres do Estado— reclamam do atraso de dois meses no pagamento do salário e citam, ainda, o risco da possível depredação da propriedade pública por falta de segurança.

Segundo um dos funcionários, que não quis se identificar por temer sofrer retaliações, muitos vigilantes noturnos reclamam da falta de segurança no local. “É difícil fazer a segurança da Arena da Amazônia, pois é um local que possui muitos itens de valor e não possuímos armas. Não só para proteger o patrimônio, mas também as nossas vidas. Se alguém entrar aqui, pode nos prender e saquear a Arena, assim como foi feito no Zamith”, disse.

Em novembro de 2018, faltando apenas uma semana para o início da Copa Libertadores Feminina, o Estádio Carlos Zamith, palco do treino das equipes, foi alvo de vandalismo e furtos, onde janelas e portas foram quebradas e arrombadas, respectivamente. O valor do prejuízo não foi divulgado.

Patrimônio de R$605 milhões corre risco de sofrer furtos e depredações (Foto: Sandro Pereira)

Ainda segundo o colaborador, muitos colegas também estão faltando ao trabalho por não ter como sair de casa, diminuindo o quantitativo ideal para a vigilância da Arena. Alguns seguranças chegam a pedir dinheiro emprestado para poder pagar o transporte e garantir a refeição durante o expediente.

“Existe, ainda, a questão do baixo efetivo na Arena da Amazônia. Muitos colegas não estão indo trabalhar pela falta do vale-transporte. Temos que pegar dinheiro emprestado para pagar o ônibus, além de trazer a comida de casa, já que o vale-alimentação também está atrasado. Estamos trabalhando de graça e isso não é justo”, informou.

O funcionário informou, também, que já entraram em contato com a empresa, que não deu nenhum prazo para o pagamento. “Já fomos atrás da empresa, dos coordenadores dos centros esportivos e da própria Sejel, mas ninguém nos dá uma resposta. Tem gente que já perdeu o emprego por ter ‘reclamado demais’. Isso é a maneira deles de nos deixarem com medo”, alegou.

Por meio de nota, a Secretaria de Estado de Juventude, Esporte e Lazer informou que assume o compromisso de pagamento prioritário de todos os serviços prestados a partir do dia 1 de janeiro de 2019, bastando para o prestador de serviços apresentar a nota fiscal dos serviços prestados, para requerer quitação.

Ainda segundo a nota, a verba para o pagamento dos serviços terceirizados saiu no dia 24 de janeiro. A nota informa, ainda, que a empresa deve apresentar os documentos necessários para a liberação da quantia, referente somente aos serviços prestados no mês de janeiro de 2019.

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