Coreia do Norte anuncia primeiro teste com bomba de hidrogênio

Informação, confirmada pela TV estatal do país, aumenta clima de tensão entre países da região. Segundo Japão e Coreia do Sul, explosão foi dez vezes mais potente que último teste realizado pelos norte-coreanos

Seoul – A Coreia do Norte anunciou neste domingo, 3 de setembro, o sexto e maior teste nuclear em sua história. Segundo as autoridades norte-coreanas, foi a primeira vez que o país obteve sucesso no teste de uma bomba de hidrogênio que pode ser instalada em um míssil balístico de longo alcance. Autoridades do Japão e da Coreia do Sul dizem que explosão pode ter sido até dez vezes mais potente que o último teste realizado no país.

Foto divulgada hoje pela agência estatal de notícias da Coreia do Norte, a KCNA, mostra Kim Jong-un supostamente inspecionando armas nucleares em um local não revelado (Foto: Reprodução/Twitter)

“O teste foi realizado com uma bomba de poder sem precedentes”, disse a apresentadora Ri Chun-hee, encarregada de das as notícias mais importantes do regime na TV local. Segundo ela, o teste teve duas fases, que não produziram “nenhuma fuga de materiais radioativos, nem impacto adverso ao meio ambiente.”

Um terremoto de 6,3 graus na escala Richter abalou a península coreana. Imediatamente, os governos dos Estados Unidos, da Coreia do Sul e da China afirmaram que o abalo era causado, na verdade, pelo que aparentava ser um teste de bomba nuclear. A informação foi confirmada nas horas seguintes.

Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês), que monitora abalos sísmicos ao redor do mundo, o tremor – de alta intensidade – ocorreu próximo da cidade norte-coreana de Punggye-ri. A região montanhosa, no norte do país, é conhecida por sediar os testes atômicos. Uma hora depois, ainda houve uma abalo de 4,1 graus, uma réplica causada por um provável afundamento de terra, segundo autoridades sul-coreanas.

Enquanto um abalo sísmico normal costuma ocorrer a dezenas ou centenas de quilômetros de profundidade, o epicentro deste abalo, segundo as primeiras análises, ocorreu próximo à superfície do solo – o que reforça a tese que o impacto tem origem na detonação de uma ogiva nuclear.

Reações

O governo chinês, por meio do seu serviço local de terremotos, também afirmou que o epicentro ocorreu, na verdade, na superfície do solo. A agência de notícias sul-coreana Yonhap confirmou que, logo após a explosão, Seul teria preparado uma reunião de emergência do seu conselho de segurança. O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, a manobra é “absolutamente inaceitável”. O governo dos Estados Unidos ainda não se manifestou sobre o incidente.

Durante o sábado, informações vindas da ditadura de Kim Jong-Un já davam garantias que o país teria controle da chamada “bomba de hidrogênio”, um artefato termonuclear mais poderoso que qualquer bomba atômica, cujo núcleo poderia ser instalado em um dos mísseis intercontinentais construídos recentemente pelo país. O risco mais aventado nos últimos meses é de um ataque por essas ogivas em território americano. /AFP, EFE E REUTERS

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