O Grand Canyon está perdendo o rio Colorado

Nível da água é afetado pelas altas temperaturas, pela menor quantidade de neve na cabeceira e por uma enorme barragem

EUA – O rio Colorado, cuja energia selvagem abriu o cânion ao longo de milhões de anos, está em crise. À medida que o planeta esquenta, a menor quantidade de neve está matando o rio em suas cabeceiras nas Montanhas Rochosas, e as temperaturas mais altas estão roubando suas águas mediante a evaporação. Os sete Estados que usam o rio estão aproveitando praticamente cada gota que ele pode fornecer e, embora um inverno úmido e um acordo recente entre os estados tenham por ora evitado seu colapso, sua saúde em longo prazo permanece uma grande dúvida.

(Foto: Reprodução Pixabay)

O Colorado corre tão longe da borda do Grand Canyon que muitos dos quatro milhões de pessoas que visitam o parque nacional todo ano o veem apenas como um fio tênue, brilhando ao longe. Mas o destino do rio é profundamente importante para o cânion de 450 quilômetros de comprimento e para a maneira como as gerações futuras vão conhecê-lo. O uso que fazemos do Colorado já desencadeou mudanças radicais nos ecossistemas e na paisagem – mudanças que um grupo de cientistas e alunos de pós-graduação da Universidade da Califórnia, em Davis, recentemente se propôs a analisar in loco: uma lenta viagem pelo tempo, num momento em que o relógio da Terra parece estar se acelerando.

Se passarmos tempo suficiente no cânion, podemos começar a nos sentir um pouco desconectados do tempo. Suas imensas paredes formam uma espécie de casulo, isolando-nos do mundo moderno, do sinal de celular, da poluição luminosa e das decepções. Elas nos forçam a olhar para cima, como em uma catedral.

Você pode pensar que está vendo até o topo. Mais acima, porém, há mais paredes, e acima delas outras mais, fora do alcance da vista, exceto por algum vislumbre ocasional. Porque o cânion não é só profundo. É largo também, chegando a quase 29 quilômetros em algumas partes. Não é uma mera catedral de pedra. É um reino: extenso, independente, uma magnífica realidade alternativa que existe além da nossa.

O Grand Canyon é um espetáculo ímpar – e também abriga um rio do qual 40 milhões de pessoas dependem para obter água e energia. Desde 1963, a represa Glen Canyon alimenta o Colorado por mais de 300 quilômetros, na forma do segundo maior reservatório dos EUA, o Lago Powell. Os engenheiros avaliam constantemente as necessidades de água e eletricidade para decidir quanto do rio deve passar pela barragem para a outra extremidade, primeiro no Grand Canyon, depois no Lago Mead e, por fim, em campos e casas no Arizona, na Califórnia, em Nevada e no México.

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