Países europeus enfrentam novo aumento de casos de Covid-19

Autoridades tentam conter avanço da pandemia antes do início do inverno, período favorável para a transmissão da doença

São Paulo – A Europa enfrenta um aumento no número de casos de Covid-19 e autoridades tentam controlar a situação antes do início do inverno, período favorável para a transmissão do vírus.

(Foto: Fran Boloni/ Unsplash)

As campanhas de vacinação têm ajudado os países europeus na batalha contra a doença, mas muitas pessoas ainda se recusam a receber os imunizantes e foram registradas diversas manifestações, sendo algumas violentas, contra a obrigatoriedade da vacina ou do uso de um passaporte sanitário.

Reino Unido

Na semana passada, o Reino Unido registrou mais de 50 mil novos casos de Covid-19 pela primeira vez desde meados de julho. Entretanto, o ministro da Economia, Rishi Sunak, descartou a possibilidade de um novo confinamento.

Em entrevista publicada no último sábado (23) no jornal “The Times”, ele insistiu que não pode haver volta às “restrições econômicas significativas”, embora especialistas avisem que o sistema de saúde do país pode enfrentar sobrecarga neste inverno.

Um contundente relatório do Parlamento do Reino Unido publicado neste mês acusa o governo de Boris Johnson e seus assessores científicos de “erros graves” e atrasos na gestão inicial da pandemia, denunciando “um dos maiores fracassos da saúde pública” do país.

França

A França também está passando nas últimas um aumento nos casos da doença. Entretanto, na semana passada, o ministro da Saúde do país afirmou que a alta não trouxe impacto para o sistema.

Os últimos números divulgados pelas autoridades mostram que houve um aumento de 2 mil casos da doença entre as primeiras semanas de outubro, de 4 mil para 6 mil infecções.

A pandemia causou mais de 70 milhões de infecções e mais de 117 mil mortes na França, de acordo com os últimos dados oficiais.

Itália

A Itália também registrou um leve crescimento de infecções nos últimos dias, com 34 casos por 100 mil habitantes, de acordo com o Instituto Superior Italiano de Saúde (ISS). O diretor do órgão, Silvio Brusaferro, esclareceu, entretanto, que o país permanece “em uma situação de controle”.

No início do mês, a Itália sofreu com manifestações violentas contra o uso do certificado sanitário da Covid-19. Os protestos deixaram pelo menos 12 presos e 38 policiais feridos.

Após os acontecimentos, políticos, intelectuais e sindicalistas exigiram a dissolução dos movimentos neofascistas que protagonizaram os atos violentos, em especial o ataque à sede do  sindicato da CGIL (Confederação Italiana do Trabalho).

Além disso, durante a manifestação, houve um ataque ao centro de emergência de um hospital público e a polícia teve que usar gás lacrimogêneo para dispersar radicais posicionados em frente ao gabinete do primeiro-ministro, Mario Draghi.

A Itália foi um dos países que mais sofreu durante o início da pandemia. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o país registrou 4.737.462 casos da doença e 131.802 mortes. Dados oficiais mostram que 44.377.699 de pessoas receberam as duas doses da vacina, o equivalente a 82,17 % da população acima de 12 anos.

Portugal

Portugal registrou na última sexta (22) 930 novos casos de Covid, o maior aumento diário desde o último dia 19 de setembro.

De acordo com o relatório divulgado pela Direção Geral da Saúde (DGS), a taxa de incidência por cem mil habitantes também aumentou: subiu de 1,7 pontos para 86,1. Neste mês, o país também registrou casos da cepa delta (AY.4.2).

O governo começou a vacinar as pessoas com mais de 65 anos com a terceira dose. Até o último domingo, 123 mil idosos já haviam recebido a dose extra. Desde o início da pandemia, a região registra 18.133 óbitos e 1.085.138 casos da doença.

Holanda

O governo holandês anunciou nesta segunda-feira (24) que estuda a introdução de restrições adicionais devido ao rápido aumento das infecções para mais de 6,3 mil por dia.

O ministro interino da Saúde, Hugo de Jonge, ressaltou a “preocupação” do Executivo e disse que tem que “enfrentar que os números estão aumentando cada vez mais rápido e mais cedo do que o esperado”.

Algumas das medidas em análise são a reintrodução da obrigação do uso de máscaras – agora apenas em vigor no transporte público -, um reforço dos controles do “passe Covid”, confinamentos locais e a administração de uma dose de reforço.

Neste momento, apenas uma terceira dose da Pfizer ou da Moderna está sendo oferecida a pessoas com um sistema imunológico muito enfraquecido.

De acordo com os últimos números publicados ontem, pela primeira vez desde 25 de julho, foram registrados 6.350 casos em 24 horas, o que representa cerca de 1.350 a mais do que a média da semana passada, com incidência atual de 36,3 infecções por 100 mil habitantes. No país, 83,5% da população adulta já recebeu as duas doses da vacina.

Polônia

O ministro da Saúde polonês, Adam Niedzielski, disse nesta segunda-feira (25) que em breve será decidido se serão impostas novas medidas contra a Covid-19 em face do aumento de novas infecções, que em algumas regiões já são o dobro das da semana passada.

Niedzielski expressou sua confiança de que “um novo confinamento que a Polônia não poderia permitir” não é necessário e que as escolas podem permanecer abertas,

Avisou, no entanto, que pode ser necessário transferir os pacientes covid-19 novamente das províncias mais afetadas para outras com menos ocupação hospitalar.

O aumento médio de novos casos é de 40% em toda a Polónia em comparação com a semana passada, embora em algumas regiões do leste do país o número de novas infecções tenha duplicado.

Niedzielski ainda anunciou que se a barreira de 7 mil novas infecções por dia for ultrapassada, ele aconselhará o governo “a tomar medidas mais restritivas”. A partir de 2 de novembro está previsto o fornecimento de uma terceira dose da vacina da Pfizer,

Com aproximadamente 60% da população totalmente vacinada, a Polônia registrou um total de cerca de 3 milhões de casos de Covid-19 e mais de 76 mil mortes.

Rússia

A Rússia registrou 37.930 casos de Covid-19 nesta segunda-feira (25), um novo recorde diário em uma recente sequência de novas altas de infecções pela doença.

Desde o início da pandemia, 231.669 pessoas morreram devido à doença no país. Os dados oficiais são subestimados, a agência de estatísticas russa Rosstat estima que o número de óbitos ultrapassa os 400 mil.

Desde junho, a região enfrenta uma nova onda da epidemia causada pelo aparecimento de variantes mais agressivas, pelo baixo número de pessoas que usam máscara e pela lenta campanha de vacinação.

Apenas um terço da população foi imunizada desde o aparecimento da primeira vacina nacional, a Sputnik V, em dezembro de 2020.

Na última quarta-feira (20), o presidente Vladimir Putin estabeleceu à população uma semana de férias pagas de 30 de outubro a 7 de novembro para tentar conter o número de casos.

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