Após morte de paciente e fiscalização da Dvisa, centro cirúrgico do HUGV será reaberto

Local foi fechado após uma funcionária que passou por um procedimento na unidade falecer após ter alta.

Manaus – O centro cirúrgico do Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV) deverá ser reaberto na próxima terça-feira (21), depois de duas semanas fechado para a apuração das circunstâncias da morte de uma paciente. As informações são do superintendente da unidade, Rubem Alves Silva Jr.

De acordo com o gestor do hospital, o fechamento do centro cirúrgico foi feito depois que uma funcionária que passou por um procedimento na unidade faleceu após ter alta.

\”A funcionária fez o processo cirúrgico conosco na quarta-feira (1º), na quinta-feira (2) recebeu alta, mas passou mal quando estava em casa e foi encaminhada ao 28 de agosto no sábado (4), onde foi constatado o óbito por uma bactéria. No domingo (5) pela manhã, decidi suspender as atividades do bloco para investigar. É normal pacientes morrerem, mas não depois de ter recebido alta e de forma tão rápida\”, afirmou Rubem.

Segundo o superintendente do HUGV, no dia em que a funcionário passou pelo procedimento foram realizadas 16 cirurgias no local, sem que houvesse qualquer episódio anormal. Ainda conforme o superintendente, o Núcleo de Segurança do Paciente e a Comissão de Controle de Infeções Hospitalares (CCIH) examinaram tanto o material utilizado, quanto do percurso da paciente no hospital e não encontraram evidências de que a infecção tenha sido adquirida no HUGV.  

\”Foi um evento adverso. Fizemos exames biológicos e  rastreamento com os nossos pacientes, mas nenhum apresentou infecção. Até o momento, não temos nada que comprove que a paciente morreu por conta de alto que adquiriu durante o procedimento cirúrgico, por isso vamos reabrir novamente o bloco na terça-feira, porque atendemos pacientes de alta gravidade e temos quase 30 anos de história\”, finalizou Rubem.

Após a morte da paciente, trinta e um problemas foram encontrados na estrutura do hospital pelo Departamento de Vigilância Sanitária (Dvisa) de Manaus, segundo o diretor da Dvisa de Manaus, Fernando Branco.  

De acordo com Branco, o Hospital foi notificado pelo órgão e precisa, urgentemente, encaminhar relatório de adequações, correndo o risco de ser multado em até R$ 19.292, caso não responda. Ele explica que o órgão fiscalizou apenas o Centro de Material Esterilizado (CME), pois não conseguiu entrar no centro cirúrgico, uma vez que o mesmo estava com as atividades interrompidas.

\”Um gestor tem dificuldade para organizar um hospital. Muitas das vezes não tem orçamento, mas nós estamos prestando a atenção em tudo, porque o local estava em reforma, e  já tínhamos visitado durante esse período. Na última semana encontramos muitos problemas no Centro de Material Esterilizado (CME), como irregularidades no processo de esterilização e torneiras que foram colocadas de forma errada, além baixa qualidade da água entre outros\”, disse Fernando Branco.

De acordo com ele, a Dvisa pretende investigar sobre a morte da paciente após realizar processo cirúrgico no local. Ele ainda explica que se for comprovado negligência médica ou no processo da cirurgia, o HUGV corre o risco de ser totalmente interditado.

\”O hospital está na medida do possível em condições para atender o paciente. No entanto, tem processos de trabalho que todos precisam obedecer. Autuamos eles por conta dessas 31 irregularidades. Estamos esperando que eles entrem em contato conosco, pois queremos visitar o centro cirúrgico, que estava fechado no momento em que chegamos. Se for comprovado realmente negligência, vamos interditar o local e aplicar uma multa\”, destacou o diretor da Dvisa, acrescentando que pretende visitar o local na próxima semana.

Rubem Alves Silva Jr., classificou as irregularidades encontradas pela Dvisa como \”inconsistências\”. Segundo ele, o órgão nunca tinha visitado o local e apresentado adequações para a unidade hospitalar.

\”Estamos providenciando para que todas as inconsistências sejam corrigidas, pois ainda não tínhamos recebido nenhuma visita técnica da Dvisa. Temos que pensar agora no que é melhor para os nossos pacientes. Fizemos um convênio com o secretário estadual de saúde para esterilizar os nossos materiais, pois pretendemos cumprir tudo dentro do prazo\”, destacou.