Chefes de campanha de Vanessa e Braga explicam uso de cartão

Contador e advogados da campanha dos senadores eleitos disseram que não há problemas no pagamento dos cabos eleitorais por empresa terceirizada.

Manaus – Após as acusações do Senador Artur Virgílio Neto (PSDB), os representantes da Coligação ‘Avança Amazonas’ negaram as compras de votos, durante entrevista coletiva na tarde desta sexta-feira, dia 8 de setembro, na sede do PMDB, no bairro Parque 10. O chefe do comitê financeiro da coligação e ex-chefe da Casa Civil, Raul Zaidan, afirmou que os cartões do Banco Bradesco são legais perante a legislação eleitoral.

Zaidan contou que todas essas pessoas ganharam um ‘cartão-empresa’ do Banco Bradesco para sacarem o salário. De acordo com o ex-chefe da Casa Civil, esse mesmo procedimento foi utilizado na reeleição de Eduardo Braga, em 2006. “Usamos cartões porque fica melhor para os membros do interior do Estado receberem o próprio dinheiro. Mas poderia ser cheque ou contra-cheque”, destaca Zaidan. “Por que a cisma com esses cartões?”, questiona.

De acordo com Zaidan, os salários eram de R$ 600 para os cabos-eleitorais e R$ 1.000 para os coordenadores de campanha. O pagamento, segundo ele, ocorreu entre os dias 30 de setembro e 2 de outubro. Ele disse que a coligação não deve ser responsabilizada pela maneira como os cabos eleitorais utilizam o próprio dinheiro. “Eles poderiam usar o dinheiro para comprar votos, se quisessem. Mas nós não os orientamos a isso. Todo os deveres deles estão estipulados no contrato”, disse o chefe do comitê financeiro.

Caso de polícia

Zaidan e os advogados Daniel Nogueira e Délcio Luiz dos Santos preferiram não comentar sobre outros episódios de suspeita de comprar de votos que surgiram durante a eleição 2010.

Para eles, a polícia deve investigar individualmente o caso do vereador de Amaturá, Siríaco Silva Gomes (PMDB), detido com R$ 88mil em espécie, e o episódio do cabo eleitoral de Vanessa preso no dia da eleição, 3 de outubro, com oito caixas com panfletos e santinhos, R$ 1,1 mil em dinheiro, além de cópias de títulos eleitorais e uma lista com nomes de pessoas, em uma casa em frente à Escola Estadual Waldock Frick Lyra, zona norte de Manaus.

Seleção dos cabos

Os representantes também negaram que os cabos eleitorais da campanha fizessem parte do pagamento do Bolsa Floresta.

Zaidan ressaltou que a seleção dos membros da coligação no interior do Estado foi feito pelo candidato a vice-governador, José Melo. “O Melo é que é o homem do interior. A seleção das pessoas foi feita pelo professor José Melo”, afirmou.

José Melo foi o titular da Secretaria de Governo (Segov) e implementou o Bolsa Floresta, durante a gestão de Eduardo Braga.

Amizade

Sobre a relação com a empresa A. C. Nadaf Neto Assessoria em Comércio Exterior, Raul Zaidan explicou “Ele é meu amigo de 20 anos. Tem minha confiança. Foi escolhido por mim e não pelos candidatos. A responsabilidade é minha e não dos candidatos”.

Zaidan destaco que o fato da empresa também prestar consultoria ao Governo do Estado não impede que ela também firme outros contratos.

Desafio

Délcio dos Santos questionou o motivo de Artur Neto (PSB) ter apresentando as acusações após o resultado das eleições. “Isso é coisa de quem não sabe perder”, disse.

O advogado também desafiou Artur a mostrar detalhes da prestação de contas da própria coligação.

Nem Braga, nem Vanessa estiveram presentes na coletiva.

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