Conferência da Juventude termina com confusão e polícia

A falta de espaço e organização do evento, realizado pela Secretaria Municipal da Juventude (Semje), foram alguns dos fatores que culminaram no desentendimento.

Manaus – Uma confusão entre movimentos sociais marcou o segundo dia da 2ª Conferência Municipal de Juventude, que aconteceu no auditório Belarmino Lins da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM) nesta segunda e terça-feira. A falta de espaço e organização do evento, realizado pela Secretaria Municipal da Juventude (Semje), foram alguns dos fatores que culminaram no desentendimento. Duas pessoas, uma delas menor de idade, afirmaram terem sido agredidas por policiais militares.

Requisito para as Conferências Estadual e Nacional de Juventude, a etapa municipal, que não é realizada em Manaus há três anos, teve como foco o debate de políticas públicas para os jovens. O evento começou às 8h nos dois dias, e foi marcado por uma confusão na tarde desta terça, minutos após o início da eleição de delegados para a conferência Estadual. Cada um dos cerca de mil participantes teria direito ao voto.

O problema aconteceu quando a metodologia da eleição foi modificada com o processo já em andamento. Segundo o subsecretário municipal de juventude, Rodrigo Guedes, o auditório havia sido reservado até as 16h. Porém, quando perceberam que não haveria tempo para recolher votos de todos os participantes, os organizadores decidiram realizar a votação por grupos. O fato causou o descontentamento de alguns movimentos políticos.

Pela existência de outro evento marcado para acontecer no local a partir das 17h, a organização da conferência foi obrigada a deixar o auditório e prosseguir com a eleição no pátio da ALE. De acordo com a PM e os secretários municipais que estavam no local, representantes de movimentos como a Juventude do Partido Trabalhista (JPT) e Juventude do Partido Socialista Brasileiro (JSB) ficaram insatisfeitos, tentaram criar tumulto e até depredar as portas do auditório. A Polícia Militar interveio. Os movimentos passaram a questionar a legitimidade do processo. Outros representantes, no entanto, afirmaram que o processo foi legítimo.

“É um absurdo a maioria ter que pagar pelas exigências de uma minoria revoltada. O processo é legítimo, sim, para os jovens”, afirmou o representante do Diretório Acadêmico de Direito da Unip, Emanuel Almeida.  A possibilidade de uma nova eleição será estudada após a apuração dos votos recolhidos nesta terça-feira. Segundo o presidente do Conselho Estadual de Juventude, Edinei Mendonça, até lá, é válida a eleição realizada na conferência. “Foi dito que a quantidade de votos excedeu os eleitores presentes. Vamos apurar tudo e, só então, estudar se haverá uma nova eleição”, explicou.

Os jovens reclamaram, ainda, do pequeno espaço reservado para o evento. A capacidade do auditório é de 400 pessoas, e a maioria reclamou de ter assistido ao evento em pé.

Inscrições pela internet

Para participar do evento, a Semje abriu inscrições via internet, com o objetivo de organizar a conferência de acordo com a quantidade de inscritos. Houve pressão dos jovens para que a secretaria realizasse as inscrições no dia do evento e a mesma permitiu o acesso daqueles a todos os que compareceram ao auditório.

“Cerca de 300 jovens participaram da primeira conferência, e não imaginamos que a procura seria tão grande neste ano. As inscrições pela internet ajudariam a facilitar o processo de organização, mas houve pressão para abrirmos àqueles que não tinham acesso à internet”, explicou Guedes.

 

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