Dia Mundial da Síndrome de Down é celebrado em Manaus e alerta preconceito

Em Manaus, três entidades atuam no atendimento de pessoas com deficiência intelectuais e múltiplas.

Manaus – Nesta sexta-feira (21), celebra-se o Dia Internacional da Síndrome de Down. A data chama atenção da sociedade para a luta por direitos iguais, bem estar e inclusão das pessoas que nasceram com a síndrome. Mesmo com os avanços feitos com inclusão, é possível perceber que o preconceito com crianças e adultos que possuem o distúrbio genético ainda existe. Quem alega é Clarice Aliane, professora que há 25 anos trabalha na Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) em Manaus.

“Mesmo nos dias de hoje, ainda há um preconceito muito grande com os ‘Down’. É preciso quebrar o tabu que existe com as crianças e adultos excepcionais. Quando trabalhados de maneira precoce, as crianças que possuem o distúrbio possuem um melhor desenvolvimento quando atinge uma idade mais avançada e, assim, o trabalho de inclusão é executado mais facilmente”, disse.

Clarice também explicou que os pais e professores de crianças portadoras da síndrome precisam trabalhar em conjunto na hora de desenvolver atividades multidisciplinares. “Os pais são verdadeiros professores de seus filhos. Eles precisam acreditar no potencial da criança e realizar com eles trabalhos como fono (fonoaudióloga), terapia ocupacional e fisioterapia, juntamente com o profissional, possibilitando assim a independência precoce do filho”, orientou.

A Apae atua há 30 anos na capital no atendimento de pessoas com deficiência intelectuais e múltiplas e pela promoção e articulação de ações educativas para inclusão social, com ênfase nos direitos das áreas educação, saúde e assistência social. A associação de Manaus surgiu da iniciativa de um grupo de pais com filhos especiais que necessitavam de uma entidade prestadora de assistência a eles na área de educação especial.

Além da Apae, existem, em Manaus, outras associações comunitárias que realizam o trabalho de assessoria e acompanhamento dos portadores da síndrome.

O Complexo Municipal de Educação Especial, localizado no bairro Adrianópolis, zona centro-sul da capital, atende crianças com todo o tipo de deficiência intelectual.

De acordo com a gerente de Educação Especial do complexo, Reni Formiga, cerca de 150 portadores da síndrome estudam em toda a rede municipal de ensino e 25 realizam programas de estimulação no órgão. “O complexo e a Escola Municipal André Vidal de Araújo são verdadeiros auxiliares do portador de necessidades especiais. Para os alunos com síndrome de Down, que apresentam uma característica acentuada, programas como estimulação essencial, de aprendizado e o programa multiprofissional são distribuídos entre eles. Já as crianças que não tiveram a oportunidade de estudar ou quando os pais procuraram acompanhamento de forma tardia são trazidos para o colégio”, explicou.

A Associação de Pais e Amigos do Down no Amazonas (Apadam) realiza o trabalho de acompanhamento de crianças com o distúrbio, além de ministrar reuniões mensais com os pais para ajudá-los a entender sobre o mundo dos portadores da síndrome.

Conforme o presidente da Apadam, Omar Maia, a instituição possui 40 crianças associadas que recebem atendimento, mas ainda não possui sede própria. “No final do ano passado, foi sancionada uma lei que declarou a Apadam, como serviço de utilidade pública, mas ainda não temos sede própria. No entanto, a Secretaria de Assistência Social de Direitos Humanos (Semasdh) já disponibilizou uma casa para nossos atendimentos futuros”, concluiu.

Poucas vagas nos atendimentos             

Evenilde Aguiar, de 68 anos, avó de Flávia Rosa, de 11 anos, falou que é muito difícil conseguir uma vaga para neta, que possui síndrome de Down, nos atendimentos das associações e no complexo Municipal de Manaus. “Este ano corremos atrás de vagas, pois sabemos que existem muitas crianças que são assim, mas não há muitas vagas. A Flavinha está precisando de fonoaudiólogo. Na rede particular, são R$250 por sessão e ela precisa fazer a consulta três vezes por semana”, disse.

Marcos Paulo Arantes, de 23 anos, é pai do pequeno Felipe, de 3, e diz que é preciso enfrentar filas nos atendimentos para poder conseguir vagas para o filho ‘down’: ” É quase humilhante. Meu filho precisa urgentemente de fisioterapeuta e não tem vaga em nenhum canto, muitas vezes é preciso esperar horas em filas para podermos ser atendidos , ou se não aguardas em listas de esperar para conseguir as vagas” desabafou.

Eventos do dia internacional do Síndrome de Down

A Apae Manaus marcou a data com diversas atividades, como aulas especiais, concursos de danças e exibição de filmes com a temática contra o preconceito. O evento reuniu mais de 100 crianças portadoras da síndrome e durou o dia inteiro.

Já a Apadam realizará, no domingo (30), uma tarde no Parque Cidade da Criança, localizado no bairro Aleixo, zona centro-sul, e fará atividades recreativas para os associados e convidados.

O Complexo Municipal de Educação Especial irá incluir a data comemorativa somente na Semana Nacional do Deficiente Intelectual, em agosto. 

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