Diesel tem 21% de amostras adulteradas em Manaus, revela a ANP

Foram coletadas durante a fiscalização 28 amostras de diesel que foram enviadas ao laboratório da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) para análise.

Manaus – O escritório local da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) intensificou a fiscalização nos postos de combustíveis de Manaus, após a constatação de adulteração em 21% das amostras de diesel, em janeiro e fevereiro deste ano. Somente na última semana de março, 35 postos foram fiscalizados pela agência na capital.

Foram coletadas durante a fiscalização 28 amostras de diesel que foram enviadas ao laboratório da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) para análise.

Segundo o chefe da unidade regional de fiscalização da agência reguladora, Noel Moreira Santos, os postos tiveram os combustíveis testados em campo sem nenhuma anormalidade, com exceção do diesel que precisa ser levado ao laboratório para constatar a conformidade com as exigência da ANP.

Em janeiro e fevereiro desse ano, a ANP, por meio do Programa de Monitoramento da Qualidade dos Combustíveis (PMQC), coletou 199 amostras de diesel, das quais 41 foram reprovadas na capital, o que gerou uma ação do escritório que está programando fiscalizações em toda a Região Metropolitana de Manaus (RMM).

“A partir de agora, precisamos identificar em que ponto do circuito a adulteração ocorre, se é nos postos, durante o transporte ou na distribuidora”, afirmou Santos

Em Manaus, o diesel foi o combustível que apresentou os maiores índices fora de conformidade, ou seja, não estavam de acordo com as especificações da Agência Nacional de Petróleo (ANP), que determina que a mistura contenha 5% de biodiesel.

Segundo Santos, a adulteração, nesse caso, não gera comprometimento no funcionamento do veículo, mas resulta em uma vantagem financeira para o dono do posto. Ao desobedecer o percentual mínimo da mistura, o revendedor usufrui de um incentivo fiscal que é dado para o combustível renovável e não para a fatia do hidrocarboneto ou do diesel.

O incentivo visa ampliar a produção em larga escala no País, a exemplo do etanol.

Matriz energética

“O biodiesel tem um subsídio do governo federal para torná-lo uma matriz energética. Como é um combustível com custo maior, ele possui isenções de imposto, por isso quem coloca menos biodiesel na composição lucra mais, pois recebe os incentivos do governo sem cumprir as exigências”, afirmou.

Santos disse, ainda, que a vantagem do biodiesel é que ele não tem enxofre então diminui os impactos causados pela poluição. “É um combustível vegetal que substitui o combustível fóssil”, explicou.

A mistura de 5% em vigor desde janeiro deste ano, ajudará a reduzir em 3% a emissão de gás carbônico no País. Segundo a ANP, a expectativa é atingir até 20% da mistura nas regiões metropolitanas em menos de 10 anos.

O escritório local da ANP é responsável pelas unidades federativas da Região Norte, exceto Tocantins. Desde a inauguração do escritório em setembro do ano passado, foram realizadas 424 ações na Região,  sendo 162 no Pará, 99 em Rondônia, 78 em Roraima, 41 no Amazonas, oito no Amapá e uma no Acre.

Em Manaus, além dos postos de combustíveis, as fiscalizações foram realizadas em distribuidoras de combustíveis, distribuidoras de gás de cozinha ou GLP (Gás Liquefeito de Petróleo) nos postos de combustíveis do aeroporto e em um Transportador Revendedor Retalhista (TRR), que adquire combustíveis a granel e revende a varejo com entrega ao consumidor.