Em inspeção na Balbina Mestrinho, Defensoria identifica superlotação e falta de leitos de UTI

Em fevereiro passado, uma parturiente oriunda de Fonte Boa e o bebê morreram na maternidade e a família denunciou negligência do hospital

Manaus – Na terceira visita de inspeção às maternidades de Manaus, feita nesta quinta-feira (11), na Maternidade Estadual Balbina Mestrinho, na Rua Duque de Caxias, bairro Praça 14, a mais antiga em atividade no Amazonas, a Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) constatou a falta de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) materna, problemas em relação a servidores e superlotação, problemas comuns em todas.

Na Balbina Mestrinho, em fevereiro passado, uma parturiente oriunda de Fonte Boa (a 678 quilômetros a oeste de Manaus) e o bebê morreram na maternidade e a família denunciou negligência do hospital, dizendo que a paciente teria esperado mais de 24 horas para o procedimento cirúrgico que, mesmo realizado, não evitou os óbitos.

No mês passado, a Ouvidoria da instituição registrou dez ocorrências, sendo oito reclamações contra maus atendimentos e deficiências em alguns setores, e dois elogios às equipe técnica da enfermaria e à toda equipe do hospital.

Realizada como desdobramento do Procedimento Administrativo de Apuração de Dano Coletivo (PADAC), instaurado pela DPE-AM para investigar casos em série de violência obstétrica nas maternidades e hospitais públicos e privados, a inspeção, na Balbina de acordo coma defensora pública Caroline Pereira de Souza, titular da 11ª e 12ª Defensoria Pública Forense Cível, além de identificar as falhas no local, busca também indicar soluções que possam ser implementadas.

De acordo com a gerente do setor de enfermagem, Maryangela Araújo, e da enfermeira obstétrica Andreza Mendes, que acompanharam os defensores Caroline Souza, Thiago Nobre Rosas e Theo Ribeiro, a maternidade atende em média de 400 a 460 mulheres a cada mês, sendo pelo menos 260 normais e os demais cesarianas. A recomendação é nunca mandar qualquer grávida que procura a unidade voltar sem atendimento, ainda que seja no corredor. “Aqui a porta está sempre aberta”, afirma Andreza.

Os defensores Caroline Souza, Thiago Nobre Rosas e Theo Ribeiro foram recebidos pela gerente do setor de enfermagem, Maryangela Araújo e pela enfermeira obstétrica Andreza Mendes (Foto: Divulgação)

Insuficiência

Responsável pelo atendimento de mulheres grávidas da capital, interior e de áreas indígenas, a Balbina Mestrinho mantém apenas apenas sete leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), o que é insuficiente para a demanda. Isso obriga a unidade a negociar com outras para encaminhar pacientes ou receber novos. “Nós procuramos agilizar a alta de pacientes até 24 horas e até no máximo 36 horas após o parto, para liberar os leitos”, explica a enfermeira.

De acordo com Andreza, esse procedimento só não é feito nos casos de pacientes do interior do Estado. Mas há um projeto de construção de uma unidade denominada de Casa da Gestante, que será a primeira numa maternidade do Amazonas para atender a essas mulheres, assim como está em finalização a construção do Centro de Parto Natural Intra-hospitalar (CPNI), outra inovação da unidade, que contará com armadores de rede para o atendimento de indígenas e banheiras para a preparação do parto.

Na farmácia, a falta de medicamentos é suprida com a parceria de outras unidades, com permutas que têm conseguido suprir as demandas. Sobre o caso da paciente vinda de Fonte Boa, a enfermeira Andreza Mendes revelou que a parturiente chegou em trabalho de parto sem qualquer informação do acompanhamento pré-natal e que todos as medidas foram tomadas para salvar mãe e filha, sem sucesso.

Outro problema apontado pela enfermeira da maternidade, é o elevado número de grávidas que têm sífilis, mais de 40 a cada mês são registrados, o que gera necessidade de internação tanto da mãe quanto da criança por períodos mais longos, o que indica falhas no atendimento pré-natal.

A defensora Caroline Souza informou que as informações colhidas na unidade serão analisadas para a elaboração de um relatório contendo sugestões visando corrigir os problemas identificados.