Em Manaus, mesmo sem o ‘auxílio-paletó’, vereadores vão ganhar mais

Reajuste salarial aos parlamentares da CMM compensa o fim do benefício

Manaus – Com o aumento de salário dos vereadores da Câmara Municipal de Manaus (CMM), elevando os vencimentos de R$ 9 mil para R$ 15 mil – o que deve ser aprovado até dezembro deste ano, o fim do benefício do auxílio-paletó, proposta transformada em plataforma política durante as eleições deste ano e previsto para ser votada no próximo dia 27, não vai provocar grandes perdas financeiras aos 41 parlamentares municipais e nem redução de gastos na folha de pagamento da CMM.

Com o fim do ‘auxílio-paletó’, benefício recebido no valor do salário, pelo vereador a cada início de ano para despesas pessoais como vestimenta, a Câmara deixará de gastar em 2013 R$ 615 mil. Em contrapartida, o reajuste de R$ 6 mil, 61%, no salário dos vereadores, vai provocar um acréscimo de R$ 3,1 milhões à folha de pagamento da Casa.

Com o salário de R$ 15 mil, a Câmara pagará a cada vereador R$ 78 mil anualmente apenas em salários e décimo terceiro, totalizando quase R$ 8 milhões em pagamentos. Se o valor dos rendimentos fosse mantido em R$ 9 mil o gasto total da Câmara durante todo ano com os rendimentos dos 41 parlamentares seria de R$ 4,7 milhões.

Para os parlamentares, o fim do benefício representa muito mais que apenas a redução de gastos do parlamento. Segundo o vereador Waldemir José (PT), o fim do pagamento representa para a sociedade a extinção de um “privilégio”. “A sociedade cobra da Câmara que se acabe com esse privilégio. O salário é um direito e os vereadores passaram quatro anos sem aumento e passarão outros quatro anos sem também”, explicou Waldemir.

Segundo ele, a nova bancada de vereadores do PT, Professor Bibiano e Rose Medeiros, que foram eleitos este ano, está de acordo com o fim do auxílio, embora considere que a função parlamentar exija o uso de roupas adequadas, gerando um gasto obrigatório aos vereadores.

Autor do projeto, o vereador Mário Frota (PSDB) também defendeu o aumento salarial, argumentado se tratar de um direito. Assim como o colega petista, Frota defendeu o fim do benefício, afirmando que trata-se de uma exigência da sociedade brasileira atualmente e que deve atingir todos as Casas Legislativas do País.

De acordo com o vereador Elias Emanuel (PSB) não é possível fazer comparação entre o fim do benefício e o aumento dos salários. “Essa é uma antecipação do que vai acontecer no resto do País. Não vamos acabar com o auxílio-paletó porque o salário vai ser aumentando. Não é assim”. Elias Emanuel afirmou que votará favorável a extinção e classificou o auxílio como um “penduricalho que causa constrangimento aos parlamentares”.

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