Foxconn diz que salários de funcionários chineses subirão mais

A Apple e a Foxconn fecharam um acordo na semana passada para melhorar as condições de trabalho de 1,2 milhão de pessoas que trabalham montando iPhones e iPads.

Pequim – A Foxconn — que fabrica o iPad e o iPhone — vai continuar a elevar os salários dos seus trabalhadores chineses e a cortar as suas horas extras, disse Terry Goy, presidente da companhia. Em meio à polêmica sobre as condições de trabalho oferecidas aos funcionários em suas fábricas, Goy afirmou ainda que a Foxconn construirá uma nova unidade de tecnologia avançada em Hainan e que expandirá as operações no Brasil.

— Agora estamos dizendo na empresa: “você trabalha menos, mas ganha mais”. Não vamos parar aqui e continuaremos a incrementar os salários — disse Goy. — Os salários no Brasil são ainda mais altos, mas continuaremos com nossos investimentos na região. Acabamos de fechar um acordo com a Hainan Airlines que será eventualmente nossa conexão com a cadeia de abastecimento (da China para o Brasil).

O magnata de 61 anos afirmou que a Foxconn aumentaria o salário global dos trabalhadores já que alguns empregados de suas fábricas em Shenzhen se queixaram de que não teriam dinheiro suficiente caso as horas extras fossem reduzidas.

A Apple e a Foxconn fecharam um acordo na semana passada para melhorar as condições de trabalho de 1,2 milhão de pessoas que trabalham montando iPhones e iPads. Foi um decisão histórica que pode mudar a maneira como as companhias ocidentais fazem negócios com a China. O acordo prevê contratar milhares de novos trabalhadores, eliminar horas extras ilegais e melhorar os protocolos de segurança.

A iniciativa é uma resposta à pressão da Fair Labor Association (FLA), uma associação independente que investiga possíveis excessos em fábricas de iPhones e iPads na China a pedido da Apple. A instituição entrevistou centenas de empregados sobre as condições de trabalho e de vida, incluindo saúde, segurança e habitação e encontrou violações de leis trabalhistas, como horas extras não remuneradas.

— O resultado que esperamos é a contratação adicional para cobrir o déficit de horas, por causa da redução das horas extras, assim como um maior investimento em automação para reduzir o impacto dos contínuos aumentos salariais na China — disse Jenny Lai, analista de HSBC.

A Foxconn já teria dobrado os salários de alguns empregados na China há dois anos após uma onda de suicídios na empresa. No ano passado, uma explosão na sede de Chengdu matou três pessoas.

Atualmente, a Foxconn emprega cerca de um milhão de pessoas na China, com quatro fábricas de dispositivos eletrônicos. A companhia fornece metade do consumo de eletrônicos do mundo, com subsidiárias produzindo dispositivos para empresas como Nokia e Huawei, além da Apple.

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